15 de março de 2010

Umberto Eco: ‘Eletrônicos duram 10 anos, livros, 5 séculos’

O jornal O Estado de São Paulo inaugurou cara nova neste fim de semana e a repaginação gráfica, agora realizada, rebate no editorial. Por exemplo, confere maior destaque às novas tecnologias da informação, como o reforço do portal do Estadão, onde foram ampliadas as ofertas de conteúdos em vídeos e áudio. Além disso, há links regulares das matérias impressas para o ambiente da web, no qual estas podem ser aprofundadas.

Interessante foi o recurso empregado no primeiro caderno de ontem (14/mar.), inaugurando a reforma: a primeira e a última páginas foram reproduzidas, como que ‘rebaixadas’ em sua impressão, a sugerir estarem sendo vistas sob uma transparência, na qual eram salientadas as modificações que o leitor passaria a ter contato e os novos recursos gráficos que elas proporcionam. Expediente bem engenhoso, que vale a pena conferir no exemplar impresso!

Na verdade, as mudanças começaram já no sábado (13/mar.), com a veiculação do novo e muito bem-vindo caderno ‘Sabático, Um tempo para a leitura’. Já com a cara nova que a edição dominical traria, publicou, entre outros textos interessantes, conto de Ronaldo Correia de Brito; comentário de Sérgio Augusto; matéria de Lúcia Guimarães sobre o positivo impacto que a crise econômica teve na gigantesca Biblioteca Pública de Nova York; texto delicioso de Daniel Piza sobre o ainda mais delicioso poeta Manoel de Barros; e um breve resgate do saudoso (para aqueles com mais idade...) ‘Suplemento Literário’, do mesmo Estadão, com a resenha de Antonio Candido de Grande Sertão: Veredas, da edição da então estreia desse suplemento (6/out./56).

Mas o destaque do ‘Sabático’ está na entrevista com o sempre imperdível Umberto Eco. Assinada por Ubiratan Brasil, ela parte do livro Não Contem com o Fim do Livro (Eco, J-P de Tonac & J-C Carrière, a ser lançado no Brasil pela Record), para discutir o velho amor pelas obras em papel desse ensaísta e escritor italiano. O também bibliófilo Eco, detentor de 50 mil títulos, é um claro defensor do suporte impresso: “O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação”.

É bem verdade que tal discussão Eco já travou anteriormente, como em ‘Muito além da internet’. Mas a graça dessa abordagem trazida no ‘Sabático’ está na maior informalidade que a entrevista proporciona, incluindo, neste caso, a ambientação que Ubiratan Brasil dá à conversa, conduzida no escritório-residência de Eco, em Milão: apartamento localizado defronte ao Castelo Sforzesco, em um andar onde antes existia um pequeno hotel. Hoje guarda, em seus enormes corredores, prateleiras repletas de livros e tem seus antigos quartos adaptados em escritórios, sala de jantar e estar, dormitórios...

Leia a íntegra da entrevista com Umberto Eco em
www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,eletronicos-duram-10-anos-livros--5-seculos--diz-umberto-eco,523700,0.htm
Foto de Eco (sem sua característica barba): Andrea Barbiroli/AE

12 de março de 2010

Um céu de tirinhas para o Glauco


O cartunista Glauco, que há 30 anos ilustrava a Folha de S.Paulo com seus personagens inconfundíveis (Quem nunca riu do Geraldão que atire a primeira enceradeira!), foi assassinado ontem à noite, na casa de sua família, em Osasco. Estamos vibrando fervorosamente para que os anjos tenham lhe reservado um pedaço do ceú repleto de tirinhas bem-humoradas.

10 de março de 2010

O Outro Olho de Lampião

O jornalista Artur Aymoré mergulhou nos arquivos dos mais influentes jornais e revistas do Nordeste e do eixo Rio-São Paulo para analisar a cobertura e a leitura que a imprensa realizou, em 50 anos, da mais longa e épica de todas as revoltas sangrentas já surgidas no Brasil.

Considerado bandido pela imprensa brasileira no período, Lampião lutava por justiça social e contra um regime de opressão. Acabou lançando-se numa dimensão mítica, personificando o herói trágico. Nas quase duas décadas que durou sua luta, viu-se incansavelmente combatido e caçado pela Polícia Militar de sete Estados, tropas de elite do Exército e milícias mercenárias de latifundiários. A abordagem jornalística contribuiu para projetá-lo como o mais importante mito do Brasil moderno, em cujo processo construíram-se marcas em que a forma imaginária ultrapassou a história.

Com o arrebatamento que todo bom texto jornalístico oferece ao leitor, este ensaio mostra que, tanto durante a trajetória em vida quanto após a morte de Lampião, a leitura e interpretação da revolta do líder cangaceiro foram expressas de modo ambíguo, explicitamente manipuladas e excessivamente ficcionais. A imprensa utilizou-se de discurso monossêmico e autoritário, fantasiando a realidade e, muitas vezes, deturpando-a.

LANÇAMENTO
Data 18/mar./2010, quinta
Hora das 19h às 21h30
Local Livraria Martins Fontes – São Paulo/SP
Av. Paulista, 509 (estação Brigadeiro do Metrô)

Prefácio: ALBERTO DINES
192p.; 21 cm; R$ 38,00; ISBN 978-85-60677-09-2
Piracicaba: Jacintha Editores, 2010

8 de março de 2010

Capitu e Diadorim no Dia Internacional da Mulher

Neste Dia da Internacional, em que nós, mulheres, somos especialmente lembradas, reproduzo o bate-papo amigável de duas grandes amigas nossas, personagens inesquecíveis daquelas que talvez sejam as maiores obras-primas da literatura brasileira.

Uma delas é Capitu, criada por Machado de Assis para, em Dom Casmurro, protagonizar uma relação no mínimo dramática com o seu marido Bentinho, na segunda metade do século 19, no Rio de Janeiro, então capital da República do Brasil. A outra é a jovem jagunça Diadorim, de Grande Sertão Veredas, de autoria de Guimarães Rosa, que no final daquele mesmo século se traveste de Reinaldo para poder integrar as tropas de Juca Ramiro que vagam pelos “sertões das gerais”.

O texto, do jornalista Daniel Piza, foi publicado na íntegra no Estadão de ontem (6/3/2010, Caderno Cultura, p. D3) e interessa porque revela com humor a dura condição feminina nessa nossa sociedade regida por homens ao longo de toda a história.

Capitu – Sempre quis conhecê-la, Diadorim. Achava que você fosse mais alta, mais forte, sabia? Bobagem minha.
Diadorim – Nunca precisei ser alta e forte para enfrentar os homens. Eu é que não sabia que você era tão alta e forte.
Capitu – Hoje está meio fora de moda, né? No meu tempo, porém, não tinha um homem que não olhasse para mim nas ruas.
Diadorim – Moda não me importava, você sabe. Até que eu gostava de passar uns perfumes quando tomava banho de madrugada, longe das tropas. Mas você sempre foi chegada a esses salamaleques, joias, vestidos, bailes...
Capitu – Se nós duas não tivéssemos morrido tão jovens, você mais jovem ainda, eu ia levá-la para passear pela rua do Ouvidor e duvido que resistisse. Por sinal, que coincidência que a gente se conheça neste Dia da Mulher.
Diadorim – Ora, não vejo muito sentido nisso, não. Dia de mulher é todo dia; todo dia as mulheres de hoje precisam defender de novo os direitos que já são nossos há muito tempo. Esses cabras são fogo.
Capitu – É verdade. Eu mesma: até hoje, quando falam de mim,é como se eu fosse ou inocente ou traidora. Os homens só conseguem imaginar as mulheres de um jeito ou de outro. Virei uma charada mundial!
Diadorim – Minha situação não foi diferente. Agora, como você aguentava aquele marido? Eta homem frouxo, sô!
Capitu– É que o Bentinho era tão apaixonado por mim, e me prometia uma vida tão boa. Meu erro foi achar que eu ia controlar tudo, que ele ia amadurecer aos poucos. Mas ele era um eterno adolescente, tanto que precisou escrever um livro sobre si mesmo e ainda assim continuou sem se conhecer... De quebra só me pôs falando absurdos sobre “coincidências divinas”. Ele era o primeiro a acreditar nessas coisas!
Diadorim – Mas pelo menos a gente vê ali que era um covarde. No sertão, esse aí não durava nem dois dias.
Capitu – E olhe lá... Mas confesso que queria que tudo tivesse sido diferente. Tive de ser
“mais mulher do que ele era homem”, como ele mesmo reconheceu no livro.
Diadorim – E eu tive de ser menos mulher... Não tive escolha; meu dever era com meu pai, eu tinha de ser varão para que ele continuasse comandando tudo. Não fosse por isso, teria dito a Riobaldo quanto o amava também. Aquele sim era homem, viril e gentil, Tatarana na hora da guerra e quase um menino na hora em que ficava me olhando, quase um passarinho. “O sol entrado”, não é bonito isso?
Capitu – Bentinho não fica muito atrás: “Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve.” Você falando assim, parece que Riobaldo era uma mistura de Bentinho com Escobar, se bem que Escobar sabia ser doce quando queria... Mas você era sol e era lua também, como eu. Foi por isso que disse que nossa situação era parecida?
Diadorim – Foi. Tem gente por aí que acha que Riobaldo não era macho, porque ficou apaixonado por Reinaldo, não por Diadorim. Ele era, sim! É que era um homem mais sensível que aquela jagunçada tosca. Sabia ler, escrever, sabia admirar as coisas bonitas. Ele via Diadorim debaixo de Reinaldo.
Capitu – E ele sofreu muito, não sofreu? Bentinho não via nada porque não sabia ver. Mas imagino um jagunço sentindo atração por outro, sem saber que na verdade era uma mulher – e só sabendo depois que você morreu. “O diabo não existe, por isso é tão forte.”
Diadorim – Ou “Deus é o poeta, a música é de Satanás”... A nossa história é uma tragédia ainda maior que a sua. Ele não podia ver a verdade; eu não podia contá-la. Mas minha vida não teria sido nada sem ele. Quando li o livro, senti que ele pensava da mesma forma.
Capitu – A verdade é que a gente deixa os homens bem confusos. O problema deles é que demoram a perceber as diferenças. Depois se desiludem quando elas aparecem.
Diadorim – E nós percebemos muito rápido, e mesmo assim nos iludimos também. Foi bom aprender com eles a ser mais direta, a tomar iniciativa.
Capitu – Eu sempre tomei iniciativa. O problema é que tinha de fingir que não tomava. Minha vida toda tive de esconder o que sentia.
Diadorim – Eu também, nem preciso lembrar.
Capitu – Hoje não é muito diferente. Mas, sabe, sinto inveja dessas mulheres que podem trabalhar e votar e passar cantadas...
Diadorim – Melhorou muito, graças também a esses homens que escreveram nossa história. Como diz o meu, sertão é dentro da gente; mas talvez hoje existam mais veredas. Caminhar sempre dá trabalho.

5 de março de 2010

Jornalismo de revista: 'Le Monde' lança 'Le Mensuel'

'La creme du monde' é como vem sendo avaliada a revista mensal lançada em fevereiro pelo tradicional diário francês Le Monde. Le Mensuel oferece ao público, em língua francesa, o que de mais quente foi publicado nesse jornal a cada mês anterior. São as melhores reportagens, os mais interessantes perfis e os artigos mais bem recebidos pelo público, reproduzidos na íntegra.

Além do mais, tudo isso vem embrulhado para presente, com fotos coloridas e em preto e branco, pois, por se tratar de um veículo de periodicidade mensal, a ideia é valorizar as imagens, tanto em quantidade quanto na qualidade. O tamanho pequeno (23,5cm x 18,5cm) e o acabamento sofisticado fazem de Le Mensuel quase um livro, o que torna a leitura mais envolvente e facilita, aos leitores que não abrem mão de receber informações e opiniões em formato impresso, o arquivamento e coleção dos exemplares.

Segundo a jornalista Leneide Duarte-Plon, em artigo no Observatório da Imprensa (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=579IMQ001), esse mensário deverá afirmar-se como uma nova mídia – destinada aos leitores que, pelos mais diversos motivos, não têm acesso diário à informação –, diferente do diário impresso, do semanário e da internet, mas que trará também a marca Le Monde, com a credibilidade dos correspondentes e de sua cobertura dos fatos no mundo todo.

Para um aperitivo de Le Mensuel:

3 de março de 2010

Ser jornalista é ir além da profissão

Recebi, de uma ex-aluna querida, hoje jornalista em Limeira/SP, esse “compêndio” um tanto sarcástico sobre o comportamento cotidiano dos jornalistas. Achei por bem reproduzi-lo. É rir. Pra não chorar.

Jornalista não fala – informa
Não passeia – viaja a trabalho
Não conversa – entrevista
Não é chato – é crítico
Não se confunde – perde a pauta
Não esquece de assinar – é anônimo
Não tem olheiras – tem marcas de guerra
Não faz lanche – almoça em horário incomum
Não se acha – ele já é reconhecido
Não influencia – forma opinião
Não conta história – reconstrói
Não omite fatos – edita-os
Não pensa em trabalho – vive o trabalho
Não vai à festas – faz cobertura
Não acha – tem opinião
Não fofoca – transmite informações inúteis
Não pára – pausa
Não mente – equivoca-se
Não chora – se emociona
Não some – trabalha em off
Não lê – busca informação
Não traz novidade – dá furo de reportagem
Não tem problema – tem situação
Não tem muitos amigos – tem muitos contatos
Não briga – debate
Não usa carro – mas sim veículo
Não é esquecido – é eternizado pela crítica
Jornalista não morre – coloca um ponto final
"

O texto, assinado por Tati Molini, só faltou repetir que jornalista, quando quer se suicidar, sobe no próprio ego.
Ilustração reproduzida de http://www.bancariosbahia.org.br/fotos/charges/3/IMAGEM_CHARGE_0.jpg

1 de março de 2010

Literatura, família e amor (ou rejeição)

Por falar em Zuenir Ventura, mais uma boa notícia sobre esse autor e também sobre o universo das revistas literárias. Zuenir dá uma canja do livro que está escrevendo sobre sua família na mais recente edição brasileira da revista Granta, que deve chegar às nossas livrarias em meados de março.

Impossível deixar de conhecer esta que é a mais importante revista literária da atualidade. Fundada, em 1889, por alunos da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e batizada de The Granta, em homenagem ao rio que banha a cidade, por suas páginas já passaram escritores do porte de Mário Vargas Lhosa, Susan Sontag e Arthur Miller. Nesta 5.a edição brasileira, o tema é a convivência familiar e as sensações de amor e rejeição provocadas pela inevitabilidade das relações de parentesco.

Além de Zuenir Ventura, com o conto “O segredo”, a revista traz, entre outros, o escritor turco Orhan Pamuck (Prêmio Nobel de Literatura e autor de Neve e O Livro Negro), com “Gente famosa”, e Ronaldo Correia de Brito (Prêmio Jabuti e autor de Faca e Galiléia), com “A bênção do pai”. A propósito, todos os títulos aqui citados, sem exceção, merecem ser apreciados.

26 de fevereiro de 2010

Zuenir Ventura: “Escrevi meu primeiro livro porque minha mulher mandou”

Quanto mais maduras e competentes, mais simples e transparentes são as pessoas. A frase – reproduzida no título desta matéria – do jornalista e escritor Zuenir Ventura, autor do excelente livro-reportagem 1968: o Ano que Não Terminou, entre outros, e colunista do jornal O Globo, chega a ser engraçada, tamanha a sinceridade. E ainda mais porque foi dita diante de uma platéia lotada e desconhecida, no encontro Correntes D´Escritas 2010, que acontece de 24 a 27 de fevereiro, em Portugal. O público, claro!, adorou Zuenir, segundo a jornalista Valéria Martins, do PublishNews.

Por sinal, a sacada combina perfeitamente com outra, do mesmo autor, proferida na mesma ocasião: “Eu não gosto de escrever, gosto é de ter escrito”. De fato, pouca gente assume que escrever é um desafio danado: causa dor no estômago, ansiedade, expectativa, até dor de cabeça. Agradável mesmo é a sensação de conseguir terminar de escrever um bom texto. Agora, haja coragem para derrubar as tais das aparências. Uma terceira revelação inusitada do Zuenir é de como ele passou de arquivista de jornal a jornalista. Sempre relutou em encarar a redação, mas quando recebeu a notícia da morte de Albert Camus, ele, que era fã do escritor, se ofereceu para escrever o obituário. E assim foi.

Mais sobre Zuenir Ventura, no Portal Literal

25 de fevereiro de 2010

O que esperar do jornalismo e do seu ensino nas faculdades

Ontem à noite (24/fev.), discutindo com alunos meus do curso de jornalismo o artigo “Em busca de um jornalismo para o século 21”, do jornalista e escritor argentino Tomás Eloy Martínez (vale a pena acessar a íntegra do texto, em:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=576IMQ007), entre tantos outros tópicos interessantes que ele nos faz refletir, resvalamos, uma vez mais, na velha e batida questão sobre o contraste entre a “visão romântica e utópica” aprendida nas faculdades e a perversa realidade das redações e das assessorias de comunicação, notadamente fora do grande circuito das metrópoles e grandes cidades brasileiras.

Segundo alguns desses estudantes, de um lado estamos os professores a insistir em preceitos éticos na prática jornalística, no incentivo à investigação criteriosa dos fatos, na procura de fontes e personagens paradigmáticas ao relato de todos os ângulos de uma notícia. Durante todo o curso, estimulamos o esforço, a precisão, a entrega do futuro jornalista em aprimorar o texto, ir além dos limites da pirâmide invertida, trazendo à narrativa testemunhas que tornem a notícia mais viva, em vez de se contentar em produzir meros relatórios e reproduzir apenas o velho engessamento de, nas primeiras linhas da notícia, responder às seis clássicas perguntas (o que, quem, onde, quando, como e por quê). Já na outra ponta, no outro extremo mesmo, ainda de acordo com esses alunos, estariam então as redações e assessorias de imprensa/comunicação, um tanto desatentas a praticamente todos esses valores cultivados na faculdade.

Diante de tamanho contraste que me é trazido com frequência à sala de aula, e que aponta o perigo de causar em jovens estudantes e jornalistas certo conformismo e cômoda adaptação, e, quem sabe por isso, levá-los a abrir mão de “mergulhar” nos conceitos e práticas do bom jornalismo – que, por sinal, é sim produzido no Brasil e no mundo –, me preocupo. E pergunto: qual a expectativa dos jovens nessa profissão?, o que esperam dela e de nós, profissionais e professores, para que enxerguem mais do que uma luz no fim do túnel?

24 de fevereiro de 2010

Luluzinha faz 75 anos

Os fanáticos em HQs, mangás, comics e cartoons podem até torcer o nariz, porque ela nunca foi tão cool. Fica devendo no traço, no roteiro, na complexidade, na criticidade, enfim, se comparada a um Tim Tim, um Spirit ou uma Elektra da vida. Mas antes de me apaixonar por esses personagens animados, como também pelo Tio Patinhas, os Irmãos Metralha, a Mafalda e a Rê Bordosa, entre tantos outros, eu já curtia mesmo eram as histórias singelas de ninguém menos do que a LULUZINHA. E se você disser que não gostava dela é porque está de sacanagem.

Fato é que a Little Lulu completou ontem, 23 de fevereiro, 75 anos de vida – uma senhorinha, portanto. Criada pela cartunista norte-americana Marjorie Buell, Lulu iluminou as páginas do Saturday Evening Post, pela primeira vez, em 1935. Vestido vermelho e cachinhos nos cabelos, a garota decidida, teimosa, mandona e um tanto cruel sempre nutriu uma relação cotidiana de amor e ódio com o seu então rival/companheiro de aventuras, o Bolinha.

Em terras brasileiras, ela virou tira diária de jornal, revista em quadrinhos, desenho animado, inúmeros clubes de meninas, canção – lembra de “Eu ontem fui à festa na casa do Bolinha”? E notadamente nas décadas de 1960/70 chegou a rivalizar com os heróis da Disney em popularidade.

Saudades da Lulu.

19 de fevereiro de 2010

Motivos para apostar nos livros

Seguem algumas das razões para que continuemos a investir em livros impressos, eletrônicos, científicos, de poesia, romances, infantis, de contos...

Tenho visto essa lista circular por aí em revistas e jornais, e achei por bem reproduzi-la. Se nosso/a prezado/a leitor/a lembrar de mais algum "benefício", fique à vontade para completar a relação:

1. o livro amplia o conhecimento geral;
2. estimula a criatividade;
3. aumenta o vocabulário;
4. desenvolve a capacidade de comunicação;
5. emociona e causa impacto;
6. muda a vida;
7. desperta a criticidade;
8. facilita a escrita.

11 de fevereiro de 2010

‘Violência cósmica no meu canto lírico’: poemas de Newman Simões vêm a público

O nome de um dos poemas de Newman Ribeiro Simões, em seu livro ilogicamente, viu-se aqui apropriado pelo título deste artigo. Justifica-se: ele fornece pistas sobre as forças íntimas que mobilizam o poeta – a contemplar a cósmica existência – e o levam a recorrer a versos para conferir forma e expressão a seus sentimentos.

Logo na abertura desta publicação, com capa de Juliana Mesquita e projeto gráfico interno de Daíza Lacerda, Newman afirma textualmente não ser poeta, mas apenas escrever poemas. E registra: “fertilizando o esquecer, faço ressuscitar memórias, celebrando histórias que, de meu gosto, seriam reais; afinal não custa espremer memórias, fazendo minha tristeza vazar; não se pode fugir dos açoites dos fantasmas interiores nem dos sustos que outros monstrinhos nos pregam, escondidos que estão em trincheiras da alma”.

Se de fato ‘o universo observa-se mediado pela mente humana’, neste livro as ‘palavras rompem o silêncio... e dançam’. Por suas páginas ‘o tempo pulsa e passa’; mas nelas impresso, e para sempre, ‘o guerreiro [poeta] ficou encantado’.

ilogic@mente. poemas
Pref.: Jorge de Albuquerque Vieira; 107p.; ISBN 978-85-60677-08-5; R$ 25,00

3 de fevereiro de 2010

Projeto combate pirataria de livros universitários

A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) estima que a reprodução ilegal de livros universitários renda, atualmente, às editoras do país um prejuízo de R$ 400 milhões. É muito dinheiro e nenhum respeito ao texto dos autores e ao trabalho dos editores dessas publicações. Mas uma luz no fim do túnel ilumina a iniciativa exemplar da Estácio de Sá, uma das nossas maiores instituições de ensino superior.
A Estácio acaba de criar um projeto para o pagamento de direitos dos autores dos textos xerocados e a distribuição desse material didático aos calouros dos seus cursos de graduação espalhados por 16 estados brasileiros. A medida deverá reduzir em 50 milhões o número de fotocópias irregulares e dar um bom exemplo aos estudantes na valorização do direito autoral.

28 de janeiro de 2010

Rotary Club Paulista apoia Projeto Social Coreia & Brasil

O Projeto Social Coreia & Brasil, estabelecido entre a Hyundai e a Prefeitura de Piracicaba, com o apoio de várias instituições do município, trouxe à cidade 100 jovens coreanos. Nesta 5.a-feira (28/jan.), eles se dividiram em cinco grupos para ações comunitárias em distintas entidades piracicabanas.

Junto com o radialista Alexandre Bragion, do Programa Educativa nas Letras, me comprometi a registrar a ida de um dos grupos à Associação Aliança Misericórdia, que presta atendimento a pessoas que estiveram envolvidas com drogas e alcoolismo. Coordenado pelo Rotary Club Paulista de Piracicaba, a visita a essa instituição contou, antes de mais nada, com a prestação de serviço voluntário desse grupo, no caso a capinagem de uma vasta área de mato e a troca de uma tubulação de água.

Além disso, os entusiasmados jovens coreanos conheceram com detalhes o serviço assistencial realizado pela Aliança e interagiram com os seus residentes, em jogos de vôlei e de futebol e no almoço de confraternização. Segundo o presidente do Rotary Club Paulista, Valmir José Rodrigues, “ainda mais significativo do que os 5 mil dólares recebidos da Hyundai por intermédio desse projeto social foi o expressivo envolvimento dos rapazes e moças no trabalho de uma entidade assistencial que tanto faz por nossa comunidade, mas que ainda é tão pouco reconhecida”.

Cobertura mais completa pode ser vista no Jornal de Piracicaba desta sexta (29/jan.).

Chimamanda Adichie: o perigo da história única

No link reproduzido ao pé desta matéria, a romancista nigeriana Chimamanda Adichie fala sobre a diversidade dos povos e indivíduos, e de como tal diversidade se traduz não numa única, mas em muitas histórias sobrepostas. Assim, segundo ela, se nos contentamos a ouvir apenas uma história sobre outra pessoa ou país, nos arriscamos a ter sobre uma e outro o que ela chama de "desentendimento crítico".

Chimamanda conta a trajetória de como lhe foi difícil descobrir a sua voz cultural. Lembra as histórias que escrevia quando menina, nas quais seus personagens tinham pele clara, cabelos dourados e olhos azuis, pois reproduziam os modelos dos únicos livros aos quais tinha acesso na Nigéria africana de então: todos vindos da Inglaterra. Ou quando se mudou para os EUA, aos 19 anos de idade, e sua companheira de quarto na universidade surpreendeu-se pelo fato de ela, uma africana, falar inglês fluentemente (a língua oficial na Nigéria é o inglês!), vestir-se como qualquer jovem americana e ser fã da Mariah Carey.

O discurso de Chimamanda nos faz questionar as “histórias únicas” e as versões oficiais sobre outras culturas e vidas que não as nossas. Além do mais, como escritora, Chimamanda reforça a nossa fé no poder das histórias, que, quando contadas/escritas com sérias intenções por comunicadores talentosos, podem sem dúvida ajudar a melhorar o mundo.

Veja: http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

27 de janeiro de 2010

Brasileiros estão comprando mais livros

A Associação Nacional das Livrarias (ANL) divulgou essa semana um crescimento médio de 9,73% nas vendas de livros em 2009 comparado ao do ano anterior, mesmo levando-se em conta o ainda baixo índice de leitura entre os brasileiros e a crise econômica que balançou o país.

Interessante é que os livros infantis apareceram na dianteira das vendas nas livrarias, segundo o levantamento da ANL, que por outro lado, chama a atenção para o fraco desempenho das publicações de autoajuda no ano passado. A Livraria Cultura, com 10 lojas, obteve um dos melhores desempenhos do setor, com um aumento de quase 20% na receita. As quatro unidades da Livraria da Vila cresceram em média 10%. E a Nobel, com 196 unidades, chegou a dezembro de 2009 com aumento de 12% no faturamento.

Por sua vez, a venda de livros porta a porta também elevou a sua participação no mercado editorial em 2009, ocupando hoje a terceira posição entre os maiores canais de venda, atrás das livrarias e distribuidoras e da internet. Segundo a Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), mais de 28,8 milhões de exemplares foram vendidos através esse canal. Por isso, em parceria com a Redecard (para permitir a realização de transações com cartão de crédito via celular), a entidade lançará agora em 2010 a campanha nacional “Toc Toc. É o livro”, de modo a valorizar a imagem do vendedor de publicações porta a porta. (Mais informações em: http://www.abdl.com.br)

26 de janeiro de 2010

Seis blogs quentes sobre o mundo digital


O universo e as possibilidades da rede web e as tecnologias a eles associadas têm ocupado cada vez maior espaço na pauta do noticiário jornalístico nacional. Exemplo disso é a recente criação no portal estadão.com.br de nada menos do que seis blogs voltados especificamente aos diferentes aspectos da cultura digital (vale conferir em blogs.estadao.com.br/link/). Isso, sem contar a atualização editorial e gráfica no site do caderno Link, que todas as segundas-feiras faz parte da versão impressa desse jornal.

A ideia é que esses novos blogs, escritos por repórteres do Link/Estadão, abordem questões como mobilidade, games, redes de relacionamento, pirataria na internet, legislação e as interfaces das novas tecnologias digitais com a cultura, a comunicação e o jornalismo.

Coincidência ou não, essas inovações todas ocorrem justamente na semana em que o Brasil sedia a terceira edição do seu mais importante evento relacionado à internet, a Campus Party, de 25 a 31 de janeiro, no centro de Exposições da Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo.

23 de janeiro de 2010

Curiosidade “radiofônica”

Embora o físico italiano Guglielmo Marconi tenha entrado para a história com o título de “o pai do rádio”, parece que a realidade não foi exatamente essa. Há quem jure de pé junto que, de fato, o inventor do rádio foi um padre brasileiro, cientista e inventor de protótipos de TV, aparelhos de telefone e telégrafo sem fio.

Uma notícia publicada em 16 de julho de 1899 pelo jornal O Estado de S. Paulo demonstra que a primeira transmissão pública da voz humana por ondas eletromagnéticas ocorreu naquela data, antes de Marconi, pelo tal padre, chamado Roberto Landell de Moura. Poucos meses depois, uma segunda demonstração pública do invento de Landell realizada na avenida Paulista e no Morro de Santana, em São Paulo, foi registrada pelo Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro.

Patenteado em março de 1901, a invenção foi reconhecida inclusive pela imprensa estrangeira, tanto que, em 12 de outubro de 1902, uma reportagem do New York Herald trouxe essa e outras experiências de Landell na época. Já o Brasil não se interessou nem pelo criador nem pela criatura, restando ao padre procurar novas oportunidades nos Estados Unidos, onde morou três anos, e conseguiu patentear, em 1904, mais três aparelhos de comunicação.

Passados exatos 150 anos do nascimento do padre Landell, pesquisadores e jornalistas movimentam-se, através de abaixo-assinado (ver http://www.mlm.landelldemoura.qsl.br/
abaixo_assinado.html), para que as autoridades brasileiras reconheçam o cientista como o criador do rádio e o pai das telecomunicações.


20 de janeiro de 2010

Hipopótamos, tartarugas e outros bichos (mais ferozes)

Desde o início de janeiro, penso em reproduzir uma matéria assinada pelo escritor Mário Vargas Llosa, “A lição de Owen e o fanatismo das guerras contemporâneas”, publicada no Estadão (p. A8), em 28 de dezembro passado. No entanto, esse veículo tem demonstrado certo descaso no atendimento a seus assinantes e o fato é que, depois de inúmeras solicitações de alteração de cadastro e/ou senha no Estadão Digital, ainda não consegui acesso à matéria. Portanto, farei um breve comentário sobre essa reflexão de Vargas Llosa, pois acredito que ela tenha muito a ver com o conceito e o desejo nosso, da Jacintha, com relação, digamos, ao futuro da humanidade.

Vamos a ela: Uma das vítimas do tsunami que atingiu o litoral do Quênia, em dezembro de 2004, foi um bebê hipopótamo de 300 quilos chamado Owen, que terminou encalhado na praia, nos arredores de Mombasa. Owen teve sorte: foi resgatado por voluntários de uma ONG, mas não conseguiu ser devolvido à mãe, que sucumbiu no cataclismo. Instalado em seu novo habitat, o Lafarge Park, na África, o órfão Owen encontrou uma mãe adotiva um tanto surpreendente: uma tartaruga centenária. Esta, por sua vez, acabou assumindo plenamente suas funções maternais e, desde então, mãe e filho têm vivido inseparáveis.

A história desse hipopótamo e de sua mãe tartaruga – criaturas essas que inspiram simpatia na ampla maioria das pessoas – tem sua moral. São dois animais que, embora pertencentes a espécies tão distintas, conseguem conviver e, mais, se amar. Do jeito deles. Já os estúpidos bípedes humanos continuam se comportando como selvagens, empreendendo carnificinas e genocídios uns contra os outros, por conta de insignificantes diferenças. Haja vista os xiitas, sunitas, curdos, sérvios, croatas, bósnios, kosovares etc. etc. etc. Não estaria mais do que na hora de a humanidade se aproximar mais do perfil dessas criaturas fofas e benignas?