18 de julho de 2012

Jornalismo, política e literatura na 'piauí' de julho

A qualidade da revista piauí nada tem de novidade. Seu número 70 (jul./2012) não faz diferente. Mas nele duas matérias têm destaque garantido: ‘Escândalos da República 1.2’ (p. 26) e ‘Depois da Lavoura’ (p. 60). A primeira é assinada pelo jornalista Mario Sergio Conti, atual apresentador do 'Roda Viva', da TV Cultura, e a outra pelo editorialista da Folha de S.Paulo Rafael Cariello.
     ‘Escândalos da República 1.2’ é a versão reduzida do inédito posfácio à segunda edição de Notícias do Planalto. A imprensa e Fernando Collor (Companhia das Letras, nov./99), tido como a mais relevante publicação brasileira na área do jornalismo político. No livro, Conti entrelaça a história da derrubada do primeiro presidente democraticamente eleito após a ditadura militar com as pouco edificantes histórias de pelo menos 17 órgãos de nossa imprensa. O posfácio, que chega a público no final deste mês na nova edição, mostra onde foi parar parte dos jornalistas que cobriram o impeachment de Collor e o que aconteceu com a imprensa desde então.
     “Os jovens repórteres que expuseram o governo Fernando Collor não apuram mais notícias do Planalto. Cada qual teve razões particulares para isso”, afirma Conti na abertura do texto. “Mas o denominador comum dos que abandonaram a imprensa foi terem ido trabalhar em empresas, suas ou de outros, que se dedicam a atender políticos profissionais, homens de negócio e instituições. Agora são assessores de comunicação, relações públicas e publicitários. (...) Gerem gabinetes de crise, contratados por gente de bens denunciada nos órgãos de imprensa nos quais antes trabalhavam. Quem ontem apontava as dissonâncias entre o marketing e a realidade é hoje marqueteiro.”
     O veterano Alberto Dines, ao analisar tal posfácio em ‘Jornalismo, o estado da arte’ (Observatório da Imprensa, ed. 702), ressalta que, passados treze anos da atuação desses profissionais, muitos deles estão exercendo acriticamente o inverso do jornalismo: “o saldo é melancólico. Os mais atilados buscadores de fatos transformaram-se ao longo de pouco mais de uma década em prodigiosos produtores de factoides. Nada contra: relações públicas é uma atividade legítima, lobby também será quando regulamentado. Jornalistas românticos inspirados em Hollywood têm o direito de mudar de ramo. E de sonhos”.
     ‘Escândalos da República 1.2’ dispõe ainda ótimo material sobre o uso sistemático de marketing milionário nas campanhas eleitorais, no que Collor foi o precursor. E como essas campanhas, desde então, são estruturadas em tais artifícios, sempre se valendo de profissionais do jornalismo e da propaganda regiamente pagos. Todos – incluindo aí, antes de mais nada, os próprios políticos – convencidos de modo cabal, após a queda de Collor, da necessidade de reforçar a influência sobre aquilo que repercute na imprensa e na opinião pública.
     Mais do que o nome dado aos bois, a abrangência da análise de Conti empresta muitos elementos para se entender o perverso quadro da atual política brasileira e como inúmeros profissionais de outros segmentos são também responsáveis por isso. Trata-se, certamente, de leitura obrigatória.

Preferência pelo silêncio – O artigo ‘Depois da lavoura’, de Rafael Cariello, a pretexto de falar sobre a doação feita pelo escritor Raduan Nassar de sua fazenda Lagoa do Sino à Universidade Federal de São Carlos, se presta a dar mais cores às ‘fugas’ que compõem a trajetória desse enigmático autor paulista, trinta anos após ele deixar a literatura. Mesmo com a repercussão alcançada com Lavoura Arcaica (1975) e Um Copo de Cólera (1978), no início dos anos 80 Raduan anunciou que interrompia a carreira literária, passando a se dedicar à irrigação de arroz, engorda de reses, plantio e colheita de grãos. Foi exatamente o que ele fez, até agosto do ano passado, quando formalizou a transferência da propriedade agrícola, no município de Buri, a 250 quilômetros de São Paulo.
     Mantendo-se por décadas em silêncio quase absoluto com a imprensa, o escritor causou muito impacto com seu afastamento da literatura, em pleno ápice de sucesso. Apesar de ainda ter publicado o livro de contos Menina a Caminho (1997), a falta de maiores explicações para esse desligamento permanece com ares de mistério. No texto para a piauí, Cariello cita o ensaio da crítica Leyla Perrone-Moisés, de 1996, em que ela afirma que o ‘impaciente’ Raduan “finge não acreditar no valor da literatura apenas porque sua ação no mundo não é imediata e visível”. Para concluir: “Esperemos que, se Raduan abandonou a literatura, a literatura não o tenha abandonado, e o traga de volta a seus leitores”.
     Nos anos 80, o escritor optava por um mundo rural ainda pouco produtivo e visto como arcaico. Assim, a perplexidade então causada levou também a reações mais duras. O jornalista José Castello escreve em 1999 que “Raduan Nassar não suportou ser um grande escritor e desistiu da literatura para criar galinhas”. “Trocou a criação estética, que é complexa e desregrada, pela mecânica suave da avicultura, e parece muito satisfeito com isso, tanto que, resistindo a todos os apelos, se recusa a voltar atrás em sua decisão”.
     É consenso, contudo, que a obra de Raduan, apesar de curta, o projetou a um nível invejável na literatura brasileira da segunda metade do século XX, obtendo incontáveis traduções mundo afora e adaptações para o cinema. Por isso, se o fio condutor do texto de Rafael Cariello na piauí é o histórico de sucesso comercial obtido por Raduan em sua empreitada agrícola, ele ressalta mesmo são as condições da doação da fazenda, após quase três décadas de trabalho do escritor, entregando-a em plena produção e com alta rentabilidade. Contudo, no artigo de Cariello, essa mais nova provocação de perplexidade que Raduan possa provocar se presta a um olhar sobre os vários momentos de quebras e recomeços marcantes na trajetória da própria vida do autor de Lavoura Arcaica.
     Por sinal, este, que é o mais badalado dos seus livros, é exatamente a história de uma fuga – e de suas consequências. Em outra rara entrevista de Raduan (Veja, final dos anos 90), citada por Cariello, ele comenta esse percurso de vida incomum que o transformava em objeto de contínua curiosidade: “Abandonei o curso científico e pulei para o clássico, abandonei um curso de letras na universidade, o curso de direito no último ano, a empresa familiar assim que meu pai faleceu. Abandonei ainda uma criação de coelhos, o jornalismo e outras coisas mais. Tudo somado, só levei a pecha de inconstante. Por que só quando abandonei a literatura eu teria me transformado em personagem fascinante?”.
     O questionamento constitui expressão viva da personalidade do escritor. Ao leitor, particularmente àquele cativado por suas três obras, interessa não só a literatura, mas a vida mesma, por vezes enigmática, de Raduan Nassar. Daí, também, a relevância desse artigo de Cariello na piauí de julho.

Foto Jac©Edit : Raduan Nassar durante lançamento do livro Ilogicamente, de Newman Simões (Jacintha Editores), em maio de 2010.

5 de julho de 2012

Dicas para a segurança de crianças e adolescentes

Questões essenciais de segurança voltada a crianças e adolescentes, tanto no âmbito doméstico como nas ruas de nossas cidades, são o objeto do manual concebido pelo Cel. Ricardo Jacob e produzido pela Jacintha Editores. Em Dicas Básicas de Segurança, esse oficial da Polícia Militar de São Paulo traz orientações a pais e adultos em geral sobre temas como guarda de medicamentos, cuidados específicos em áreas da casa como cozinha, varandas e escadas, e ainda atenções especiais exigidas no trato com bebês.
     Além disso, sempre pautado por um texto claro e objetivo, todo complementado por ilustrações coloridas, a publicação é voltada, em sua segunda parte, diretamente a adolescentes. Nela, Cel. Ricardo compartilha seu profundo conhecimento, como especialista em legislação e logística de segurança, em aspectos como atenções fundamentais na proteção da residência, em contatos telefônicos e na convivência nas ruas. São abordados também assuntos ainda mais corriqueiros no dia a dia da atual juventude: os riscos muitas vezes presentes no emprego da tecnologia, por exemplo, de internet e celulares.
     Com projeto gráfico da Act Design e ilustrações assinadas por Freire, Dicas Básicas de Segurança teve distribuição gratuita: http://ricardojacob.org/ ou coronel@ricardojacob.org.
Dicas Básicas de Segurança para crianças e adolescentes, Coronel Ricardo. São Paulo: Jacintha Editores, 2012; 48p.; 18 cm; proj. gráf.: Act Design; ilustr.: Freire.

4 de julho de 2012

São Bento do Sapucaí, referência artística

A simpática São Bento do Sapucaí, a 185 km da capital paulista e a leste do estado de São Paulo, nos contrafortes da Mantiqueira, é atração turística tanto como estância climática quanto por se constituir em polo cultural da região. Possivelmente atraídos pela natureza exuberante do lugar, chama a atenção o número de artistas, escritores e poetas estabelecidos na cidade e as atividades por eles produzidas.
     É assim que, no próximo sábado (7/jul.), será inaugurada a I Exposição de Arte São Bento do Sapucaí, na Casa da Cultura Miguel Reale. O evento coletivo contará com trabalhos dos artistas plásticos Adriana A.R. Santos, Billy Gibbons, Célia Santos, Ditinho Joana, Feh Prado, Felipe Cação, Juliana Chagas, John Chien, Luis Rosa, Lanuel Cação, Marcos Guedes, Mariana Abdala, Nelson Screnci, Roberto Rocha Pombo e Theodoro.
     No material promocional da exposição aqui reproduzido, eles estão diante da Capelinha de Mosaicos, uma das mais belas atrações de São Bento. Restaurada pelos artistas plásticos Angelo Milani e Cláudia Villar, essa imperdível capela já também objeto de outra matéria neste blog: ‘São Bento do Sapucaí, trilhas e montanhismo nesse inverno’.

Exposição de Arte São Bento do Sapucaí – Casa da Cultura Miguel Reale: Rua Sargento José Lourenço, 105; São Bento do Sapucaí/SP; (12) 3971-1665; inauguração: sáb. (7/jul.), às 19h; de 8/jul. a 8/out./2011, das 9h às 18h.

1 de abril de 2012

O Grande Espírito da Intimidade

Os ingredientes deste manifesto antropológico foram extraídos de raízes emaranhadas numa trilha de lembranças. Foi indo atrás da nossa própria natureza que cada qual trouxe um balaio cheio de diálogos recheados de memórias temperadas com sementes batidas no coco. Eu vim carregando conversa comprida, entre outras tantas, com Tupã Ivandro, índio guarani. O sol pela fresta do telhado daquela igreja oca formava tela com a fumaça do fogo que se acendia. Fogueira de entulhos da cidade envolvente. Lá dentro escutava o eco de um segredo: é do silêncio que surge...
     Talvez estivesse dormindo quando, olhando de novo para o que parecia ser uma favela, reconheci através dela a aldeia dos nossos sonhos. No outro lado da estrada, Clóvys, Leo e Ubimara conversavam com os guaranis sobre como reconstruir a Opy dessa mesma aldeia em que eu estava. A trama urdida de nós nos enredava. Dessa via Leo enchia seu balaio do que relia da alma indígena embaraçada com a sua. Clóvys sonhava com sua avó yanomami, lembrava de aboios. Noutro rastro, refazia o grito do menino xavante. Das andanças com paixão, Adriana trouxe seiva agridoce, veio com choro de moema; e a Fernanda chegou com o pulso ritmado pelos pés descalços, o tambor com a voz de trovão entoando hinos quase esquecidos.
     Nos ligamos. Depoimentos transformados pela escuta sorvendo esse cheiro suavemente audível. Caldo com sabores de infância que percutiu no corpo em repouso hibernado há anos. Restou fazer palpável o indizível. Concentro: cem voltas delimitando a borda desse prato transbordante onde colocamos, com passos na roda, nossos desejos dissolvidos, mexendo sempre em círculos até levantar fervura.
    Tomara dê para alimentar o Grande Espírito.
                                                                                                                                               ANDREAH DORIM
                                                                                                          Diretora

O Grande Espírito da Intimidade, com Adriana Lodoño, Clóvys Torres e Fernanda de Paula; direção Andreah Dorim. Studio SP – Rua Inácio Pereira da Rocha, 170, Vila Madalena/São Paulo, (11) 3032-4379; estreia: 6/abr.; 6.as e sábados, às 22h.

13 de dezembro de 2011

'Que os sonhos se realizem em 2012', Lucília

Compartilhamos com os leitores deste blog e os amigos da JacEdit os votos expressos nesta bela mandala de Lucília Augusta Reboredo, autora do comovente A Dança dos Beija-Flores no Camarão Amarelo, livro ao qual temos a honra de ter vinculado nossa chancela editorial.
     Sim, Lu, que 2012 proporcione a todos nós a realização de nossos sonhos!
     Para conhecer melhor essa doutora em psicologia social e sua impressionante trajetória de vida, visite, entre outras postagens no blog de nossa casa editorial, ‘Matéria televisiva sobre Lucília Reboredo e seu livro’.


A Dança dos Beija-Flores no Camarão Amarelo. Curso e percurso do adoecimento, Lucília Augusta Reboredo. Apres.: Ely Eser Barreto César; 192p.; 25 cm; R$ 40,00; ISBN 978-85-60677-10-8; proj. gráf. e capa: Juliana Mesquita. Jacintha Editores, 2010.

6 de dezembro de 2011

13.ª Festa do Livro da USP – 2011 será na Poli

Neste ano de 2011, a Festa do Livro da USP será realizada em dezembro, nos dias 14, 15 e 16, na Escola Politécnica, na Cidade Universitária, em São Paulo, das 9h às 21h.

     Serão 126 editoras pondo seus títulos à venda com pelo menos 50% de desconto.

     Localização: Escola Politécnica USP - Prédio da Mecânica e da Civil

     Acessos: bolsão da Poli (Av. Prof. Luciano Gualberto, travessa 3, ou Av. Prof. Mello Morais, próximo à Mecânica).

    Mais informações: (11) 3091-1617.

5 de dezembro de 2011

Palavras como imagens

Um vídeo simpático, no qual palavras ganham animação e, com criativo complemento sonoro, dizem ainda melhor dos seus significados.

Enviado por Eduardo Silveira

3 de dezembro de 2011

A obra de uma jovem escritora ganha a devida dimensão

A obra inaugural da jovem escritora Isadora César Pacello está com lançamento marcado. A Dimensão, a descoberta do universo gêmeo, a mais nova produção da Jacintha, será apresentada a seus leitores no próximo dia 9 de dezembro, às 19h30, na livraria Nobel do Shopping Piracicaba/SP. Aos 13 anos de idade, Isadora, paulista de Campinas (1997), acaba de concluir o 9.º ano do Ensino Fundamental em Piracicaba, cidade onde sempre viveu.
      O gosto de Isadora pela leitura e pela escrita começou bem cedo. Com 6 anos iniciou sua produção de histórias infantis: escrevia, ilustrava e criava a capa de suas ‘obras’. Em 2009, produz seu primeiro romance, que não chegou a publicar. No final daquele ano, inicia uma obra de ficção planejada para cinco volumes, sendo A Dimensão o primeiro da série. A publicação traz sua precocidade literária, compartilhando com os leitores um universo mágico repleto de aventuras surpreendentes. Neste livro, ela não abre mão da fantasia nem de sonhos. E, ao lado deles, escreve sobre valores fundamentais como amizade, lealdade e espírito de equipe.
      A turma de O Diário do Engenho postou detalhada entrevista com Isadora, que merece mesmo ser lida. Confiram nas páginas eletrônicas do DE. Além disso, o programa radiofônico Educativa nas Letras (Rádio Educativa FM 105,9 Mhz de Piracicaba), comandado por Alexandre Bragion, gravou uma edição com a jovem escritora da Jacintha. O programa vai ao ar no fim de semana de 17 (sáb., às 10h30) e 18 (dom., às 21h) de dezembro, podendo ser acompanhado também pela web.

A Dimensão. A descoberta do universo gêmeo, de Isadora César Pacello. 256p.; 21 cm; ISBN 978-85-60677-15-3; São Paulo: Jacintha Editores, 2011; proj. gráf. e capa: Sérgio Sdrous.

18 de novembro de 2011

Solar da Marquesa de Santos, no coração antigo de São Paulo, é reinaugurado

O Solar da Marquesa de Santos, no Pátio do Colégio, em pleno coração da cidade de São Paulo, será reinaugurado neste sábado (19/nov.). Após três anos de obras promovidas pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), esse raro exemplar de residência urbana do século XVIII voltará a receber visitação pública. A reabertura contará com uma mostra sobre a própria marquesa Domitila de Castro Canto e Melo, célebre amante de D. Pedro I, com exposição de seus objetos pessoais.
     Foi justamente desde o largo conhecido hoje como Pátio do Colégio que os primeiros povoadores começaram a ocupar com moradias as áreas vizinhas, constituindo as ruas que dariam origem àquela que viria a se tornar a maior metrópole brasileira. É na Rua do Carmo, atual Roberto Simonsen, 136-A (antigo n.º 3), que está localizado o Solar da Marquesa de Santos.
     Não há dados precisos sobre quando foi construído. Sabe-se que seu primeiro proprietário comprovado foi o brigadeiro José Joaquim Pinto de Morais Leme, que, em 1802, o recebeu como pagamento de dívidas. O imóvel pertenceu a Domitila de 1834 a 1867, quando ele faleceu, e ficou conhecido na época como Palacete do Carmo. As festas que ela ali promovia eram famosas entre a aristocracia paulistana.
Marquesa de Santos ..Nascida em 1797 em São Paulo, Domitila casa-se aos 16 anos com o alferes mineiro Felício Pinto Coelho de Mendonça, oficial do Corpo dos Dragões de Vila Rica, Minas Gerais, para onde se mudam. Com dois filhos desse casamento, e grávida do terceiro, em 1819, volta para a casa dos pais em São Paulo, após ser agredida pelo marido. Perde o bebê pouco tempo depois.
     Sua fama surge a partir de agosto de 1822, quando conhece D. Pedro I (1798-1834), indo em seguida viver na Corte. Fruto do romance com o imperador, além de cinco filhos, Domitila foi agraciada com títulos de nobreza: baronesa, viscondessa e, em 1826, marquesa de Santos.
     Depois de sua morte, em 1867, o solar sofreu reformas que mudaram a estrutura original. Como não foi possível um restauro com as características originais de nenhuma das épocas de ocupação do solar, optou-se por preservar elementos importantes de cada uma das modificações mais antigas. O restauro do casarão custou R$ 2,7 milhões.
     Ao lado dele, a Casa Número 1 também será reaberta, após restauração ao custo de R$ 4 milhões, com exposição de Guilherme Gaensly, fotógrafo da Cia. City, mais conhecido pelas fotos de postais paulistanos do início do século XX. O imóvel passará a ser sede da Casa da Imagem, que cuidará do acervo iconográfico paulistano, com cerca de 600 mil fotografias. Essas imagens, digitalizadas, ficarão acessíveis para consulta.

Solar da Marquesa e Casa da Imagem. Rua Roberto Simonsen, 136, Centro/São Paulo. Funcionamento: de 3. a 6. (horário ainda não definido). Entrada livre. Fotos: divulgação. Indicação: Sandra Moret

10 de novembro de 2011

Luz sobre as cores

A partir da necessidade identificada no trato diário com seus clientes quanto ao uso de cores na impressão gráfica, o time da Elmefaria Comunicação e Desing desenvolveu o guia prático de quadricromia Uma Luz sobre as Cores. Não bastasse o fato de não se ter circulando no mercado brasileiro material desse tipo, esse projeto prima ainda pelo arrojo visual e objetividade dos recursos que emprega. De quebra ele está disponível gratuitamente no formato PDF no site da Elmefaria, mediante simples cadastramento do interessado.
     O guia é uma escala CMYK completa, concebido para orientar designers, profissionais de marketing e editores, dentre outros segmentos envolvidos em produção gráfica. Isso envolve aspectos como escolha de combinações e tonalidades; uso de cores especiais não contempladas pela quadricromia; comparação com escalas Pantone e de tintas; e mesmo impacto no preço final da impressão. Cada escala de cores, entendida como ferramenta para entender como as cores são compostas nos trabalhos impressos em offset, é trazida tanto em fundo branco como em preto, o que diferencia seu realce e resultado ao percebido pelo olhar humano.
     As escalas são precedidas por um breve texto que, direto e claro, expõe a teoria sobre as cores. Particularmente, foca a diferenciação daquilo visto pelo nosso olhar e aquilo que determina as cores na impressão em papel, trazendo, para tanto, os conceitos de ‘síntese aditiva’ e ‘síntese subtrativa’. São abordados também o gerenciamento das cores no cotejo entre provas e impressões, o uso de cores especiais e a relação delas com o emprego de tipos de papel. O projeto, visualmente arrojado e cuidadoso, é composto ainda pela orientação detalhada para o próprio uso das tabelas de cores.
     A qualidade de Uma Luz sobre as Cores, quando não há à disposição dos profissionais dessa área material equivalente, mais do que pede uma versão dele no suporte impresso. Desde já a Jacintha Editores se envolve nos esforços de busca de recursos que viabilizem tal produção gráfica em apoio à criativa equipe da Elmefaria.

5 de novembro de 2011

Susan Sontag: sobre fotografia

Sobre Fotografia, livro da ensaísta e romancista americana Susan Sontag (1933-2004), traz seis ensaios incontornáveis a respeito do significado e da evolução da fotografia, abordando problemas, estéticos e morais, a partir da onipresença das imagens fotográficas em nosso tempo. Ganhadora do National Book Critics Circle Award de 1977 com este trabalho, Sontag dialoga nele com a filosofia e a sociologia, com a estética e a história da arte, em estilo simples e direto em que sua brilhante erudição escorre a bom deleitar o leitor.
     A seguir, alguns recortes do ensaio ‘Na caverna de Platão’ de Sobre Fotografia (Cia. das Letras, 2008, 224p.):
     “Fotografar é apropriar-se da coisa fotografada. Significa pôr a si mesmo em determinada relação com o mundo, semelhante ao conhecimento – e, portanto, ao poder. (...) Imagens fotografadas não parecem manifestações a respeito do mundo, mas sim pedaços dele, miniaturas da realidade que qualquer um pode fazer ou adquirir.
     A fotografia tornou-se um dos principais expedientes para experimentar alguma coisa, para dar uma aparência de participação. (...) ter uma câmera transformou uma pessoa em algo ativo, um voyeur: só ele dominou a situação. (...) Tirar fotos estabeleceu uma relação voyeurística crônica com o mundo, que nivela o significado de todos os acontecimentos.
     Uma foto não é apenas o resultado de um encontro entre um evento e um fotógrafo; tirar fotos é um evento em si mesmo, e dotado dos direitos mais categóricos – interferir, invadir ou ignorar, não importa o que estiver acontecendo. (...) Após o fim do evento, a foto ainda existirá, conferindo ao evento uma espécie de imortalidade (e de importância) que de outro modo ele jamais desfrutaria.
     Embora a câmera seja um posto de observação, o ato de fotografar é mais do que uma observação passiva. (...) é estar em cumplicidade com o que quer que torne um tema interessante e digno de se fotografar – até mesmo, quando for esse foco de interesse, com a dor e a desgraça de outra pessoa.
     Tirar uma foto é participar da mortalidade, da vulnerabilidade e da mutabilidade de outra pessoa (ou coisa). Justamente por cortar uma fatia desse momento e congelá-la, toda foto testemunha a dissolução implacável do tempo.
     Fotos podem ser mais memoráveis do que imagens em movimento porque são uma nítida fatia do tempo, e não um fluxo. (...) Cada foto é um momento privilegiado, convertido em um objeto diminuto que as pessoas podem guardar e olhar outras vezes.
     A fotografia dá a entender que conhecemos o mundo se o aceitamos tal como a câmera o registra. Mas isso é o contrário de compreender, que parte de não aceitar o mundo tal como ele aparenta ser. Toda possibilidade de compreensão está enraizada na capacidade de dizer não. Estritamente falando, nunca se compreende nada a partir de uma foto.
     Não seria errado falar de pessoas que têm uma compulsão de fotografar: transformar a experiência em si num modo de ver. Por fim, ter uma experiência se torna idêntico a tirar dela uma foto, e participar de um evento público tende, cada vez mais, a equivaler a olhar para ele, em forma fotografada. Mallarmé, o mais lógico dos estetas do século XIX, disse que tudo no mundo existe para terminar num livro. Hoje, tudo existe para terminar numa foto.”
“Noiva janela” (Veneza, 2011), de Oli de Castro; “Monsieur Rouge” (Versailles, 2011), de Eduardo Silveira

19 de outubro de 2011

Sarau em São Paulo com o livro 'Itinerau'

Obra de Tarcísio Bregalda, produzida pela Jacintha Editores, continua de vento em popa em seu itinerau:

Sarau
‘Líricas e Prosas: mato adentro, gente afora’



Espetáculo de literatura e arte, com música temática e poesia a solta. E ainda o lançamento de Itinerau na capital paulista. 5/nov., às 19h, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Pompeia
Rua Turiassu, 2.100 – São Paulo – (11) 3868-5100

Itinerau, de Tarcísio Bregalda; pref.: José de Anchieta (Costa); capa: Billy Gibbons (imagem: Ângelo Milani); 92p.; 21 cm; ISBN 978-85-60677-14-6; R$ 30,00; Jacintha Editores, 2011

14 de outubro de 2011

Artes plásticas no Conversa de Boteco

O artista plástico piracicabano Antonio Pacheco Ferraz será objeto do próximo encontro do projeto Conversa de Boteco, no Lao Bar Bistrô, em Piracicaba/SP. Tendo como convidado o psicanalista e professor de filosofia Márcio Mariguela, a vida e a obra de Ferraz (1904-2006) estarão em discussão nesse espaço que se dispõe a dar vez a conversas sobre arte e cultura em geral.
     Na segunda metade dos anos 1920, Pacheco Ferraz morou em Paris, onde aprimorou sua formação acadêmica impressionista e surrealista. Nesse período, teve um auto-retrato seu aceito no concorrido Salon des Artistes Français, de 1928. Definindo-se com um colorista e muito livre em sua técnica, Ferraz foi entrevistado para a Revista Impulso 24 (1999, Editora Unimep), que trazia como temática central o impressionismo. A matéria “Antonio Pacheco Ferraz, um piracicabano na Bretanha” está postada no site de Márcio Mariguela.
     Ao longo de sua apresentação neste Conversa de Boteco, o psicanalista vai expor também imagens de telas de Pacheco Ferraz e trechos de um vídeo sobre o artista piracicabano.
     Fique ligado Conversa de Boteco com Márcio Mariguela: 17/out. (2.a), às 20h, no Lao Bar Bistrô, Rua do Vergueiro, 156, Centro, Piracicaba, (19) 3374-0764. Foto dos olhos de Pacheco Ferraz: André Alexandre.

6 de outubro de 2011

Jobs se foi



Gênio da inventividade e visionário.
Fará falta!


Desenho de Jonathan Mak, estudante de 19 anos da Escola de Design da Universidade Politécnica de Hong Kong

3 de outubro de 2011

Sustentabilidade nos setores portuário e logístico é tema de fórum de comércio exterior

6.o Fórum Brasil de Comércio Exterior reunirá empresários, secretários do Estado e o ministro dos Portos, nos dias 4 e 5 de outubro, em Santos

A 6.a edição do Fórum Brasil de Comércio Exterior promete esquentar o debate sobre o crescimento do comércio internacional e suas implicações no aprimoramento sustentável da cadeia logística do maior complexo portuário da América Latina, o Porto de Santos. Promovido pela TVB Band Litoral e pela Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (ABTRA), o Fórum ocorrerá nos dias 4 e 5 de outubro, no Mendes Convention Center, à Av. Gen. Francisco Glicério, 206, em Santos/SP.
     Trata-se de um dos mais abrangentes encontros no Estado de São Paulo voltados à discussão de temas dos setores portuário e de logística no País, atraindo um público de executivos, importadores, exportadores, políticos e especialistas de abrangência nacional desta área. Entre os destaques da programação de 2011, que contou com apoio da JacEdit, está o painel apresentado pelo empresário Ricardo Young, sobre a sustentabilidade como valor agregado e requisito logístico, e a palestra do economista Gustavo Loyola, sobre o atual cenário global e o avanço nas relações comerciais do Brasil com outras nações.
    Como explica Agnes Barbeito de Vasconcellos, presidente da ABTRA, “essa discussão se dá num momento estratégico para o setor portuário e para o País e tudo indica que deverá avançar na agenda político-econômica nacional e nos seus rebatimentos no comércio exterior”. Isso, “tendo em vista a proximidade de acontecimentos de visibilidade mundial, como os recordes de movimentação de mercadorias conquistados pelo Porto de Santos, o potencial de exploração de pré-sal na região e a Copa de 201”, completa Agnes.

25 de setembro de 2011

A aventura das linhas de Saul Steinberg

Não perca mais tempo. O traço de Saul Steinberg (1914-1999) ainda pode ser apreciado na exposição “As Aventuras da Linha”, em que a Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta, até 6 de novembro, cerca de 110 desenhos desse artista romeno, naturalizado americano. Os trabalhos pertencem ao acervo da Saul Steinberg Foundation e foram produzidas entre 1940 e 1950, destacando o período em que Steinberg ganhou consagração internacional.   
     O ilustrador, que colaborou por quase 60 anos para a revista The New Yorker e foi a maior influência de Millôr Fernandes, tem como marca se valer muitas vezes de uma única linha, em poucos movimentos diagonais ou cruzamentos, para compor um desenho, e com ele, de modo bem humorado e ao mesmo tempo sarcástico, ser um crítico observador da vida contemporânea. É fácil observar a influência do modernismo que Steinberg absorveu em sua formação, mas, como ressalta o articulista Daniel Pisa, “não há nada obscuro ou abstrato em seus desenhos. O que eles mais fazem é dar saudades de um tempo em que os artistas sabiam que desenhar não é organizar o mundo, mas captar sua desordem”.    
    Como bom novaiorquino, desde o início da década de 40 radicado nos EUA, Steinberg tinha um olhar para o mundo inteiro, tendo inclusive visitado o Brasil. Assim, integram a exposição dois trabalhos com inspiração brasileira: ‘Pernambuco’, uma mistura de personagens, bichos e motivos locais, e ‘Grand Hotel Belém’, em frente ao qual se destaca uma enorme árvore repleta de seres amazônicos em cores líricas. Ambos produzidos a partir de desenhos de anotação e de cartões-postais colecionados pelo artista quando de sua viagem por aqui em 1952.   
     Apesar da envergadura artística de Steinberg, sua obra só havia tido uma mostra desse porte no Brasil em 1952, quando o Museu de Arte de São Paulo trouxe uma exposição individual do artista. Por sinal, ela foi possível em função da amizade dele com Pietro Maria Bardi, então diretor do Masp. Ambos tinham colaborado, nos anos 1930, com a revista Il Settebello, quando moravam na Itália. Também em função da raridade de acesso aos trabalhos de Steinberg no País, essa mostra com o suporte do Instituto Moreira Salles é constitui-se imperdível.

Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pça da Luz, 2 - São Paulo/SP - (11) 3324-1000. Fotos: Jac©Edit: "Desenhar é como escrever. (...) Desenho para explicar as coisas para mim mesmo", S. Steinberg, 1954

19 de setembro de 2011

Livro de Lucília Augusta Reboredo a bom dar repercussão

Há um ano do seu lançamento, o empolgante livro A Dança dos Beija-Flores no Camarão Amarelo continua a dar o que falar. Desta vez repercutiu pela resenha 'Lucília Reboredo: os beija-flores, a palavra e a vida', do escritor Alexandre Bragion. Segundo ele, a autora desta obra, Lucília Augusta Reboredo, “em particular instante genesíago, desdobrou-se em palavras, repartiu-se em texto, emanou-se em verbos – num movimento de expansão espiritual que é, ao mesmo tempo, redescoberta, reinvenção e renascimento”. A resenha foi publicada no site Diário do Engenho, espaço na web que trata de 'cultura e piracicabanismo', e que vem ganhando repercussão crescente entre os internautas.
     Mestre e doutora em psicologia social, em meados de 2003 Lucília começou a desenvolver a patologia que a afastaria definitivamente da carreira docente. Diagnosticada com esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença neurológica caracterizada pela paralisia progressiva de todos os comandos motores, teve roubada de maneira progressiva a totalidade dos movimentos físicos. Nesta publicação, registra suas despedidas de tudo que mais lhe foi caro, dá dicas precisas sobre cuidados e sentimentos dos portadores de ELA, além de explicar a sua condição. Mas, acima de tudo, nos encanta com sua sensibilidade, perspicácia, vivacidade e bom humor.

A Dança dos Beija-Flores no Camarão Amarelo. Curso e percurso do adoecimento, de Lucília Augusta Reboredo. Apres. Ely Eser Barreto César; 192p.; 25 cm; 40 reais; ISBN 978-85-60677-10-8; proj. gráf. e capa: Juliana Mesquita. Piracicaba: Jacintha Editores, 2010. Fotos: Jac©Edit

13 de setembro de 2011

Voos da Jacintha na capital paulista

A Jacintha Editores, a 'casa do autor, voo do leitor', está com suas instalações na cidade de São Paulo: Rua Mourato Coelho, 299 / cj 5 - 015417-010 - Pinheiros.
     Faça-nos uma visita. Será uma enorme satisfação para nós!


www.jacinthaeditores.com.br / twitter e skype : Jacinthaedit
(11) 9815-1345 Heitor Amílcar / (11) 9741-2484 Milena de Castro

12 de setembro de 2011

Santos sedia 6.o Fórum Brasil de Comércio Exterior

O evento, marcado para 4 e 5 de outubro, no Mendes Convention Center, em Santos-SP, terá a presença do ministro dos Portos, Leônidas Cristino.

     Promovido pela TVB Band Litoral, Rede Bandeirantes de Televisão e pela Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra) – para a qual a Jacintha Editores vem prestando assessoria de comunicação desde o início de 2011 –, o 6.o Fórum Brasil de Comércio Exterior se consolida como calendário obrigatório para a discussão de temas ligados ao comércio internacional brasileiro e seus reflexos nas atividades logística e portuária.
     Na programação deste ano, merecem destaque a palestra do economista Gustavo Loyola sobre o cenário global e as relações comerciais do Brasil com outras nações, e os painéis sobre política brasileira de comércio exterior, portos e cadeia logística, sustentabilidade e a agenda político-econômica para o futuro da RMBS, todos com a participação de empresários, executivos, especialistas e autoridades no âmbito nacional.
     “Nossa meta é dar o máximo de visibilidade às discussões que colaborem efetivamente para a integração das cidades portuárias da Baixada Santista, seguindo a filosofia de trabalho adotada pela nossa emissora, comprometida com o jornalismo de qualidade”, explica Cláudia Rei, diretora superintendente da TVB Band Litoral.
     Para Agnes Barbeito de Vasconcellos, presidente da Abtra, o Fórum "será uma excelente oportunidade para avançar na formulação de propostas, que comporão uma carta a ser entregue ao ministro dos Portos, Leônidas Cristino", cuja participação está confirmada no último dia do evento.