31 de agosto de 2011

Diário do Engenho em águas piracicabanas

A Jacintha Editores acaba de formalizar seu apoio a um projeto de comunicação com tudo para decolar e alçar altos voos: o mais que bem-vindo Diário do Engenho, periódico online que tem a cultura piracicabana como abordagem central. A proposta desse veículo, coordenado pelo radialista, músico e escritor Alexandre Bragion, é trazer, a partir de postagens dinâmicas, informações, opiniões, textos literários, críticas, crônicas e curiosidades sobre a vida de uma das mais pitorescas cidades de São Paulo e que tem na diversidade cultural uma de suas marcas.
     A Jacintha foi fundada em Piracicaba, em 2006. No período em que lá estivemos instalados, aprendemos a respeitar seus artífices culturais, dos mais dinâmicos do interior paulista. Música, poesia, artes plásticas, literatura, folclore, teatro e esporte encontram na cidade inúmeros núcleos para sua prática. Não sem razão, é da característica nata do piracicabano muito se orgulhar desse amplo repertório de cultura em suas raízes.
     Para quem não sabe, Piracicaba é cortada pelo rio que lhe dá nome, cujo significado, “lugar onde o peixe para”, indica a dificuldade, oferecida por enorme queda d’água, aos peixes que sobem suas águas para procriar. É na margem direita que está um dos importantes monumentos do município, a imponente estrutura do Engenho Central (foto), eixo do desenvolvimento piracicabano na virada para o século XX. Sua construção remonta a 1881 e hoje, desapropriado pela prefeitura, tem seus 80 mil m2 de área verde e 12 mil m2 em construções destinados a atividades artísticas e recreativas.
     O Diário do Engenho se propõe justamente a dar espaço e repercussão a tais particularidades da cidade. O layout limpo do site, desenvolvido pelo pessoal da Ecliente Informática, e a qualidade de sua proposta editorial têm obtido repercussão crescente. E ainda agregado, o que é seu propósito, cada vez mais jornalistas, cronistas e colaboradores em seu projeto, todos interessados em produzir e discutir cultura piracicabana e piracicabanismos.
    O time da Jacintha expressa os votos de pleno sucesso aos bons rumos do Diário do Engenho nas águas internéticas desde Piracicaba!
Clique aqui e acompanhe o Diário do Engenho.
Foto: Jac©Edit

23 de agosto de 2011

Cláudia Villar e suas ‘Simbioses’ no espaço Pantemporâneo

A artista plástica Cláudia Villar estará expondo 18 esculturas da série ‘Simbioses’, a partir do dia 31 de agosto (4.a feira), na galeria do Pantemporâneo, em São Paulo, ficando em exposição até 8 de outubro. Esses trabalhos são produzidos em resina pintada com esmalte sintético. “São seres e coisas que habitam minha imaginação e que têm origem em desenhos e estudos tridimensionais”, diz a artista paulistana, que há muitos anos vive e possui seu ateliê em São Bento do Sapucaí, em São Paulo.
     Segundo o professor de artes visuais e de história da arte, o também artista plástico Nelson Screnci, “os seres de Cláudia Villar agora pertencem aos reinos da natureza e, ao mesmo tempo, a nenhum deles especificamente. Podem ser bichos, pedras ou flores. Seus corpos, porém, possuem formas orgânicas, arredondados, sinuosas, que atraem não só o olhar, devido às combinações de cores e à composição inusitada, mas também o toque, convidando o espectador à participação direta através da experimentação tátil das curvas e texturas”.
     Parte desses alegres trabalhos ‘simbióticos’ de Cláudia Villar pode ser apreciada em vídeo, que tem como trilha sonora a sugestiva Fantasia, de Shumann. A artista possui ainda belos trabalhos em mosaico, executados juntamente com seu marido e também artista plástico Ângelo Milani. Confira na web, por exemplo, Roteiro dos Mosaicos, com destaque à belíssima Capela Santa Cruz, em São Bento, restaurada pelo casal – por sinal com registro em postagem do blog da JacEdit em 15/jul. do ano passado.

Pantemporâneo: Avenida Nove de Julho, 3.653 - Jd Paulista - São Paulo/SP; fone: (11) 3018-2230. ‘Simbioses’: 31/ago.-8/set. das 10 às 18 horas. No sábado (7), às 15h, com entrada franca, haverá visita guiada pelos artistas que estarão expondo no local.
Foto: Jac©Edit

22 de agosto de 2011

O livro ganha uma revista

O universo do livro, como também da editoração, bibliografia e artes gráfica – ou seja, a comunicação impressa como um todo –, ganhou neste ano um novo fórum de expressão, a revista Livro, do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição (NELE) da Escola de Comunicação e Artes-USP. Coordenada pelos professores Plínio Martins Filho e Jerusa Pires Ferreira, a publicação busca a reflexão, o debate e a difusão de pesquisas que têm na palavra impressa seu objeto principal.
     Livro segue a linha dos defensores do livro em papel, mesmo reconhecendo a importância das novas tecnologias para a publicação e o registro do conhecimento. Seu foco maior está na valorização do suporte impresso frente às mudanças que se assiste no campo da produção editorial. Os artigos que traz discutem, entre outras abordagens, o futuro do suporte em papel, os caminhos do mercado editorial e o livro a serviço da história. Assim, também toca no "prazer do incerto amanhã”, nas palavras de Lincoln Secco, em seu artigo a respeito da revista, para a Brasileiros de julho.
    Bom exemplo é o ensaio “O futuro do livro impresso e as editoras”, assinado por Plínio Plínio Martins Filho, ou “Quem diz livraria diz refúgio”, de Alfredo Bosi. Artigos, entre outros, de Walnice Nogueira Galvão e de Jean-Yves Mollier, como ainda as memórias de J. Guinsburg e de Ruy Coelho, dão o tom desta primeira edição.

A revista Livro (208p., 18 x 27 cm, ISBN: 2179-801X, R$ 30,00) pode ser adquirida pela web, no site da Ateliê Editorial.

18 de agosto de 2011

Estamos comprando mais livros! Espera-se que lendo mais também...

O brasileiro comprou mais livros no ano passado do que em 2009. É o que constatou a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, promovida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). Isso tem rebatimento no crescimento de 8,12% no faturamento do setor editorial em 2010 (algo como R$ 4,5 bilhões), com crescimento de 13,12% no total de exemplares vendidos. Desdobramento que interessa ao leitor: tal ganho de escala manteve a tendência de queda do preço médio de capa, com recuo em 2010 de 4,42%.

Realizada anualmente pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE/USP), a pesquisa divulgada dia 16/out. traz ainda outros números: o total de exemplares vendidos em 2009 passou de 387.149.234 para 437.945.286, no ano seguinte. Em 2010, 54.754 títulos foram publicados, aumento de 24,97% em relação a 2009, com 18.712 novos títulos, o que aponta uma aposta editorial na diversidade da oferta.

Em plena era de venda pela internet, chamou atenção o fato de que, entre os canais de comercialização, o que mais cresceu, proporcionalmente, foi a venda de livros por porta a porta/catálogos: passou de 16,65% para 21,66% do mercado em número de exemplares. Já em termos de faturamento, as livrarias continuam na liderança, com 62,70% do mercado. O censo também mostrou que, das 498 editoras ativas no País, a maioria delas (231) é composta por empresas com faturamento de até R$ 1 milhão.

2 de agosto de 2011

Eli Pariser: cuidado com os 'filtros-bolha' online


Os sistemas de buscas, como o Google, e de redes sociais, como o Facebook, não têm medido esforços para oferecer serviços ‘personalizados’ ao gosto de cada navegador da web em busca de notícias, resultados de pesquisas ou de quaisquer outras informações. Contudo, os processos de filtragem necessários para tanto têm caído num risco que poucos dimensionam, com significativa manipulação no acesso aos dados da grande rede mundial.
....Em elucidativa palestra que tem circulado na internet, o executivo e articulista americano Eli Pariser, autor do livro The Filter Bubble, alerta para tal situação, que põe em risco o próprio caráter democrático da rede, tão propalado pela universalização do acesso a informações em escala planetária. Trata-se da cilada dos "filtros-bolha", pelos quais as ferramentas de busca personalizada podem efetivamente estreitar nossa visão de mundo.
....Por essas e outras, muita gente considera que há tempo o território da liberdade de opinião, como pode ser tida a web, vem sendo manipulado! Tire suas conclusões na excelente reflexão de Pariser.

19 de julho de 2011

Brasil das águas e de rios voadores

Algo como 12% do total mundial de reserva de água doce estão concentrados no Brasil, constituindo a maior reserva do planeta. Isso dá uma ideia da importância da discussão entre nós de questões como a preservação da Floresta Amazônica ou a responsabilidade socioambiental, de forma a se enfatizar o real cuidado com os recursos hídricos, que são, sem qualquer ênfase de linguagem, simplesmente o pivô das nossas vidas.
.....Foi a partir de tal perspectiva que, desde os anos 80, o casal Gérard e Margi Moss viaja pelo mundo afora em aviões pequenos, a baixa altitude, observando as paisagens que atravessam sob suas asas. Após o equivalente a duas volta no mundo, não foi difícil constatar a fragilidade dos rios, o avanço vigoroso da desertificação e o assoreamento dos leitos de água, as feridas abertas pelas queimadas nas florestas, os povos se tornando refugiados ambientais.
.....E assim Gérard e Margi têm concentrado no Brasil suas pesquisas sobre as condições das águas. Entre 2003/04, constituíram a Expedição Rios Voadores, quando coletaram 1.160 amostras de rios e lagos brasileiros, se valendo de um método inédito: um avião anfíbio. O termo ‘rio voador’ indica os cursos invisíveis de água atmosféricos que transportam umidade e vapor de água da bacia amazônica para outras áreas do Brasil.
.....O principal objetivo da expedição foi aprofundar os estudos sobre esse transporte de umidade acima da Amazônia até o restante do país, e entender de que forma o desmatamento e as queimadas afetam as precipitações, em particular nas regiões de maior produção agrícola e geração de energia hidroelétrica. Do avião próprio especialmente equipado, em voo junto com os ventos, foram colhidas amostragens de vapor e chuva, além das águas de rios e lagos.
.....Os resultados, incluindo belíssimas fotos de Margi Moss – como as aqui postadas –, podem ser conferidos no interessantíssimo site Brasil das Águas e, em especial, nas páginas da Expedição Rios Voadores.

4 de julho de 2011

Prepare-se! Os seres da DIMENSÃO, o universo gêmeo,

estão chegando para encantar você!

26 de junho de 2011

Um olhar sobre o ciclo de vida e morte (em vida)

A brincadeira no trilho do trem torna-se pretexto para Willie e Tom, duas crianças na corda-bamba da adolescência, conhecerem-se de fato. A reflexão poética sugerida pela peça sobre o ciclo de vida e morte (em vida) é conduzida pelo “desenho da imaginação” das personagens, em jogo com os espaços percorridos ao longo do diálogo.

É o que aguarda quem for assistir à Esta Propriedade Está Condenada, peça de Tennessee Williams, em montagem instigante produzida pelos alunos do Curso de Artes Cênicas da ECA/USP, dias 29 e 30/jun. (4.a e 5.a), às 15h. A apresentação desse trabalho encerra o curso de Direção II, coordenado por Cibele Forjaz.

Esta Propriedade Está Condenada, de Tennessee Williams
atuação Marcus Garcia e Marina Di Giacomo; sonoplastia Pedro Oliveira; iluminação Thabata Garcia; direção Olívia de Castro;
orientação Cibele Forjaz
29 e 30/jun. (4.a e 5.a), às 15h; e 2/jul. (sáb.), às 12h
entrada gratuita; CAC-ECA-USP
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 25 – Cidade Universitária, São Paulo

foto: Óli de Castro

25 de junho de 2011

São Paulo entre rios

No frenesi diário da gigantesca São Paulo, ninguém mais nota os rios que lhe deram origem. A não ser ao transbordarem, no período de chuvas, ou quando os odores do lixo neles depositado nos chegam. Em sua maioria, esses leitos de água hoje estão canalizados e sobre eles correm as principais avenidas da cidade.

O interessante Entre Rios, doc disponível na web, conta justamente essa trajetória conflitiva da metrópole com os seus rios. Razão de ser da São Paulo de Piratininga, o rio Tamanduateí e o ribeirão Anhangabaú logo representaram barreira ao crescimento. A construção do viaduto do Chá foi o primeiro marco de superação do impedimento representado por esses leitos, ligando o centro velho aos novos loteamentos a oeste da cidade, destinados à emergente elite cafeeira. Na década de 20 as duas áreas são ocupadas por parques: o do Anhangabaú, sobre o ribeirão já canalizado e aterrado, e o Parque D. Pedro II, às margens do Tamanduateí.

Mais tarde foram o rio Pinheiros e o Tietê a se colocarem como obstáculo. Surgiriam justificativas sanitaristas para ocupar e explorar urbanisticamente seus leitos, de várzeas com inundação periódica. Entre Rios registra ainda os grandes projetos públicos em estímulo à expansão urbana. E as razões inevitáveis para, a cada período de chuvas, as águas contidas artificialmente reclamarem de forma destrutiva suas margens originais.

O doc foi realizado pelos alunos Caio Silva Ferraz, Luana de Abreu e Joana Scarpelini, em 2009, como trabalho de conclusão de curso em bacharelado em audiovisual no SENAC-SP, sob a coordenação de Nanci Barbosa e Flavio Brito e orientação de pesquisa de Helena Werneck. Contou ainda com a colaboração de uma equipe considerável, em animação, câmera, trilha sonora e edição de som.

Entre Rios, de Caio Silva Ferraz, Luana de Abreu e Joana Scarpelini; SENAC-SP, 2009, 25 min., dir.: Caio Silva Ferraz; prod.: Joana Scarpelini.

24 de junho de 2011

Pesca artesanal de tainhas em exposição fotográfica

A fotógrafa gaúcha Mara Rejane Freire, há anos radicada na bela capital catarinense, inaugura mais uma exposição de seus instigantes trabalhos. “Tainhas: a pesca artesanal de beira de praia” será aberta dia 28/jun. (terça), às 19h30, no Floripa Shopping (Rod. SC 401, 3.116, Saco Grande – Florianópolis-SC). Os trabalhos ficarão expostos ao público até 20/jul.

Também publicitária, Mara já se definiu como “uma placa fotográfica prolixamente impressionável”. Ela é a criadora do Grupo Fotomotriz, em 2006, para estudos e práticas fotográficas. As turmas aí formadas montam saídas em Florianópolis e no seu entorno para exercícios fotográficos, cujos resultados, além de veiculação pela web (cf. os blogs), costumam ganhar exposição própria.

Confira: http://fotomotriz.blogspot.com e http://diariosdefotomotriz.blogspot.com/

15 de junho de 2011

Quino e o extremo do perfeccionismo

...ou a obtusidade da obediência.

7 de junho de 2011

'Ilogicamente' de Newman Simões tem tarde de autógrafos

O livro de Newman Ribeiro Simões, Ilogicamente. Poemas, publicação da Jacintha Editores, continua dando o merecido ibope. Agora o autor prepara uma tarde de autógrafos em Piracicaba, cidade paulista onde reside e trabalha. Será na próxima 6.a (10), às 18h, na nova Livraria Nobel (Rua Moraes Barros, ao lado do Banco Luso Brasileiro).

Enquanto isso, o livro acaba de ganhar do escritor, radialista e professor de literatura Alexandre Bragion uma resenha de particular qualidade, “Newman Simões: um poeta de ‘primeira água’”, postada no periódico online Diário do Engenho, espaço virtual que tem se mostrado muito dinâmico no trato da cultura piracicabana e, assim, merecedor de acompanhamento.

Segundo Bragion, em Ilogicamente o curso úmido das lembranças de Newman “flutua sob a forma de jogos de linguagem e de sobreposições de palavras que correm rentes aos rios da prosa contemporânea da literatura brasileira. Imersa numa poesia até certo ponto raiz – que, se guarda em si o tempo das cidades do interior, tem também o seu devido ar cosmopolita –, ‘a ilogicamente’ de Newman apresenta-se mergulhada também em inúmeras referências poéticas que, por sua vez, vão ditando, em forma de epígrafe, o ritmo das ondas líricas do livro”.

Taí uma ótima maneira de travar contato com o Diário do Engenho: pela escrita cada dia mais afinada de Alexandre Bragion, nesta sua mais recente resenha literária, agora sobre o Ilogicamente. Fica a dica: basta clicar aqui.

Ilogicamente. Poemas, de Newman Ribeiro Simões
Pref.: Jorge de Albuquerque Vieira; 107p.; 21 cm; R$ 25,00; ISBN 978-85-60677-08-5; Jacintha Editores, 2010

13 de maio de 2011

Herzog de fato é o que são os filmes dele

Werner Herzog, o aclamado diretor do Novo Cinema Alemão, será objeto de rica programação do Goethe-Institut São Paulo. A mostra ‘Sou o que são meus filmes’ (16 a 21 de maio) abordará o Herzog dos documentários, menos conhecidos do grande público, com a projeção de 20 filmes agrupados em cinco temáticas: ‘Sobre Werner Herzog’, ‘Criação e apocalipse’, ‘O início e o fim da linguagem’, ‘Guerreiro e perpetrador’ e ‘Decolagem e queda’.

Esses documentários foram produzidos entre 1965 e 2005, abrangendo o seu trabalho de estreia Hércules (1965), Balada de um Pequeno Soldado (1984) e, entre os mais recentes, O Diamante Branco (2004) e Além do Azul Selvagem (2005). Todos eles com legenda em português.

O próprio Herzog, cineasta de obras como Aguirre - a Cólera dos Deuses, Nosferatu - o Fantasma da Noite e Fitzcarraldo, participará da abertura da mostra (16/maio, às 19h), em conversa intermediada pelo o jornalista Eduardo Simões, antecedendo a projeção de Sou o que são Meus Filmes (parte 1). Para este dia, será necessário retirar senha com 1 hora de antecedência.

Mostra ‘Sou o que são meus filmes’: 16-21/maio/2011; Goethe-Institut São Paulo; Rua Lisboa, 974 – Pinheiros/São Paulo; diversos horários; entrada franca.
Acesse aqui a programação completa.

10 de maio de 2011

'Esta Propriedade Está Condenada'

Abertura de processo de Esta Propriedade Está Condenada, de Tennessee Williams, no curso Direção II, de Cibele Forjaz, no CAC-ECA/USP.

Direção: Olívia de Castro
Atuação: Marcus Vinícius Garcia e Marina Di Giacomo
Sonoplastia: Pedro Oliveira

É conferir
!

5 de maio de 2011

Ex-Libris: livro de quem

A expressão latina ex libris significa literalmente dos livros, a indicar ‘livros de’, ‘pertencentes a’. É empregada como verdadeiro título de propriedade de um livro por uma pessoa ou instituição, ao mesmo tempo em que expressa a personalidade daquele que o possui. Para tanto, além da própria composição do ‘selo’ que o sustenta, associa-se a ele palavras ou expressões, como divisa, vinheta ou emblema, muitas vezes em latim.
.,..O uso dessas etiquetas coladas ou gravadas na primeira página interior para identificar livros remonta à época da invenção da tipografia, na Alemanha, por volta de 1450. O primeiro exemplo de ex-libris teria sido de Johannes Knabensberg, também conhecido como Hans Igler (João Ouriço), gravado em madeira por W.L. Schuberg, com o perfil de um ouriço comendo flores silvestres, como também os de Giorgis de Podebrady (1455) e o de Hildebrand Brandenburg (1470).
.,..Em nosso país, Manoel de Abreu Guimarães, provedor da Santa Casa de Sabará no século XVIII e possuidor de vasta biblioteca, é tido como o primeiro brasileiro a ter um ex-libris. Mas há quem indique ser Padre José Correia da Silva, também morador de Sabará nesse período, o dono do ex-libris mais antigo no Brasil.
....O fato é que se trata de uma interessantíssima tradição, repleta de ‘belas histórias de arte, de vida e de amor aos livros’. Aliás, é como se intitula a introdução, assinada por Dorothée de Bruchard, da ótima publicação Ex-Libris, organizada por Plinio Martins Filho (Ateliê Editorial, 2008, 188p.), cuja leitura fica aqui indicada e de onde reproduzimos as imagens que ilustram esta postagem. . De Alvarus (Álvaro Cotrim, caricaturista carioca), com desenho de sua autoria (p. 140); . De Diva Bei, com desenho de Elisário Bahiana, em zincogravura (p. 128); . De Sylvio Bevilacqua (p. 140)

25 de abril de 2011

Filosofia da USP homenageia Claude Lefort

Claude Lefort, um dos maiores pensadores da política e do totalitarismo do nosso tempo, receberá homenagem do Departamento de Filosofia da USP nesta quinta-feira (28), a partir das 14h30. Falecido em outubro do ano passado aos 83 anos de idade, o filósofo francês foi autor de obras como A Invenção Democrática, nas quais defende que, numa sociedade democrática, o povo no poder é um princípio simbólico, não real, e, mais do que isso, irrealizável, já que a “precipitação do simbólico no real” causaria a sua perda. Ou seja, trata-se de um pensamento nada convencional, e ainda bastante desconcertante.

O peso dos nomes que comporão esta homenagem a Lefort dá ideia da relevância do evento. Entre eles estará o sociólogo do direito e ensaísta Luciano Oliveira, autor de O Enigma da Democracia. O pensamento de Claude Lefort (Jacintha Editores, 2010). Tendo sido aluno do pensador francês, Luciano esmiúça nesse livro as concepções lefortianas, de fundamental importância como crítica radical ao totalitarismo. Marilena Chaui, também ex-aluna de Lefort, diz ter aprendido o exato sentido de filosofia como diálogo e combate justamente com o mestre francês: o político como lógica do poder, não como pura relação de força, e o sentido da democracia como conflito legítimo, como indeterminação e criação temporal, isto é, “como invenção histórica e criação de direitos, e como recusa do poder incorporado, isto é, da identidade entre o saber, a lei e o poder”.

Local: Departamento de Filosofia da USP: 28/abr./2011, sala 14, Av. Prof. Luciano Gualberto, 315 – Cidade Universitária/São Paulo. Inscrições e informações: www.fflch.usp.br/cf

Programação

14h30 Conferência de abertura: José Arthur Giannotti (USP)
15h30 Mesa redonda: Luciano Oliveira (UFPE); Eliana de Melo e Souza (Unesp); Sérgio Cardoso (USP)
17h30 Mesa redonda: Newton Bignotto (UFMG); Adauto Novaes (Arte e Pensamento); Olgária Chain Ferés Mattos (USP)
19h30 Conferência de encerramento: Marilena de Souza Chaui (USP)

O Enigma da Democracia. O pensamento de Claude Lefort, de Luciano Oliveira. Pref.: Marilena Chaui; entrev. com o autor: Nuno Coimbra Mesquita. R$ 30,00; 128p.; 21 cm; ISBN 978-85-60677-12-2; Jacintha Editores, 2010

12 de abril de 2011

Casa onde Guimarães Rosa morou em Cordisburgo tem visita virtual


O museu da casa onde o escritor Guimarães Rosa (1908-1967) nasceu e passou parte da sua infância, na pequena Cordisburgo, no interior mineiro, agora pode ser visitado virtualmente. Pelo site Museus Virtuais dá para percorrer tanto o interior da residência, com seus cômodos e objetos de época, como também as ruas da ainda pacata cidade, localizada a 116 km ao norte de Belo Horizonte, cuja região muito serviu de matéria-prima à literatura de Rosa.

Do acervo do museu constam elementos de sua vida profissional como médico e diplomata, e ainda de peças de vestuário, utensílios domésticos, mobiliário e fragmentos do universo rural descrito em seus livros, como objetos de montaria e de atividade pecuária. Há ainda cerca de 700 documentos textuais, entre os quais alguns de caráter pessoal (certidões, correspondência recebida e emitida, documentos escolares), discursos, artigos em periódicos e originais manuscritos ou datilografados, como de Tutaméia, última obra de Rosa publicada.

O Projeto Era Virtual, responsável por esse site, reúne acessos virtuais a alguns museus brasileiros, como os Casa de Cora Coralina (GO) e Casa Guignard (MG). Durante a visita, por meio de cliques, pode-se girar a imagem, ampliar detalhes e obter informações sobre peças em exposição. No caso do Museu Casa de Guimarães Rosa, a particularidade fica por conta da participação dos contadores de histórias Miguilim, jovens que, ao clique no sinal de ‘+’ ao lado de suas imagens, narram particularidades do lugar e do seu ilustre morador, autor de obras como Sagarana (1946), Corpo de Baile (1956) e Grande Sertão: Veredas (1956).

Esses jovens narradores são fruto da ação cultural desenvolvida pelo museu e a Associação dos Amigos do Museu Casa Guimarães Rosa, que forma e manutém o Grupo de Contadores de Estórias Miguilim: hoje, cerca de 52 jovens, entre 11 e 18 anos, recebem formação permanente em técnicas de narração e sobre a vida e obra de Rosa. Nome dado em homenagem ao menino personagem-título da novela “Manuelzão e Miguilim”, que compõe originalmente Corpo de Baile, eles apresentam o museu tanto na visita virtual como na presencial.

Museu Casa Guimarães Rosa: Rua Padre João, 744 – Cordisburgo (MG); visitação: de 3.a a dom., das 9h às 17h; taxa: R$ 2,00; agend. de visitas: (31) 3715-1425 ou museuguimaraesrosa@cultura.mg.gov.br

4 de abril de 2011

Livro de Tarcísio Bregalda em seu próprio 'itinerau'

Itinerau, de Tarcísio Bregalda

Noite de autógrafos

Dia 9/abr. (sáb.), a partir das 18h
Casa da Cultura de São Bento do Sapucaí / SP
Rua Sargento José Lourenço, 105
(12) 3971-1665


Tarcísio Bregalda é natural de Cruzeiro (SP) e dentista por profissão. Por desassossego, também poeta. Reside e trabalha em São Bento do Sapucaí (SP), próximo a Campos de Jordão, quase divisa com o sul de Minas. É da beleza e da mansidão dessa região montanhosa que, muitas vezes, Tarcísio retira a ambientação de seus versos, que encontram, neste livro, seu itinerau. Trata-se da segunda publicação dele, a anterior, Os Riscos das Margens (São Paulo: ProEditores, 1997), teve apresentação do poeta Manoel de Barros.

‘Passagem para Minas’

A passagem para Minas
tem que ser pela Mantiqueira.
A passagem para Minas tem que ser silenciosa
como lâmina de faca em toucinho de porco
morto no sábado.


Itinerau, de Tarcísio Bregalda #pref.: José de Anchieta (Costa); capa: Billy Gibbons (imagem: Ângelo Milani); 92p.; 21 cm; ISBN 978-85-60677-14-6; R$ 30,00; Jacintha Editores, 2011

31 de março de 2011

Busca de palavras em cinco séculos de livros

Que tal poder checar o emprego de palavras ou expressões nos últimos cinco séculos? Uma ferramenta oferecida pelo Google promove essa façanha. Trata-se do Books Ngram Viewer (www.ngrams.googlelabs.com) programa com capacidade de executar busca por palavra-chave (um ou mais termos) nos 5,2 milhões de livros já digitalizados, constituindo uma fantástica área de pesquisa de 500 bilhões de palavras. Tal é o material disponibilizado em obras em inglês, francês, espanhol, alemão, chinês e russo, publicadas entre os anos de 1500 e 2008.
......Resulta da busca uma linha cronológica que exibe a incidência, nos últimos 500 anos, da aplicação da palavra ou expressões procuradas e ainda um atalho para livros que empreguem os termos indicados. Com isso, é possível identificar, quantitativamente, o uso da linguagem, ideias e conceitos ao longo desse considerável período de tempo, identificando-se, por exemplo, tendências culturais ao longo da história, segundo a forma como foram registradas nos livros.
......O conjunto de informações reunidas com o Google partiu do pesquisador Erez Lieberman Aiden e do acadêmico Jean-Baptiste Michel, ambos da Universidade de Harvard. Eles desenvolveram o projeto de pesquisa para demonstrar o quanto as bases de dados podem transformar nossa compreensão da linguagem, da cultura e do fluxo das ideias. Um exemplo é o referente às palavras women (mulheres) e men (homens). Pouco mencionada na comparação com o emprego de men até o início do século 20, women ganha destaque com o movimento feminista. No final dos anos 1990, women já possui citação mais numerosa do que men em livros. Outro caso depreende-se pelos gráficos, que apontam como o cristianismo, ao longo do século XX, perdeu espaço para outras religiões.

29 de março de 2011

'A Fita Branca', ou o ovo do ovo da serpente

A Fita Branca (Das Weisse Band), filme de Michael Haneke, continua uma ótima indicação do bom cinema europeu, apesar de já ser de 2009. Haneke, responsável pela direção e roteiro, é formado em psicologia, filosofia e teatro pela Universidade de Viena, e suas produções têm como marca o debate da violência e das perversões humanas. Violência Urbana, A Professora de Piano e Caché também tiveram direção dele.

Em A Fita Branca, às vésperas da I Guerra Mundial, estranhos eventos abalam a calma de um vilarejo protestante no norte da Alemanha. Uma corda estendida como armadilha derruba o cavalo do médico do lugar (Rainer Bock), um celeiro pega fogo, duas crianças são sequestradas e torturadas... Os incidentes isolados vão ganhando forma de um cruel ritual de punição, pondo a cidade em pânico. O professor (Christian Friedel) do coro de jovens investiga os acontecimentos em busca do responsável, querendo revelar a perturbadora verdade, ainda que admita não distinguir exatamente o que seja boato ou não. A frieza e a culpa coletivas são narradas por este personagem central, ao longo de um filme em preto e branco de rica fotografia e com enquadramentos primorosos, mesmo em ambientes internos e de planos fechados.

Aquele microcosmo, com seu sistema social rigidamente hierárquico e de enorme intransigência moral, reserva sempre severas punições às crianças e mulheres, sob o domínio inconteste dos adultos homens. Mas o que em público tem aura de justo ou adequado, a quatro paredes revela sua mais pura crueldade. Nesse clima, a notícia do assassinato, em Sarajevo, do arquiduque austríaco Francisco Ferdinando, que desaguará na carnificina da primeira grande guerra, impõe um corte ao silêncio que pauta a coletividade perante os sinistros acontecimentos locais.

Palma de Ouro do Festival de Cannes de 2009, A Fita Branca (144 min., prod. Áustria, França, Alemanha e Itália) busca retratar o ponto germinal do crime de ódio mais abordado pelo cinema no século 20, o Holocausto. Naquele ambiente social rígido e autoritário, pleno em punição, puritanismo, crueza e disciplina – e que ainda sairia profundamente massacrado pelos vencedores do primeiro conflito bélico mundial –, estava sendo germinado com muito rancor o ovo da nazi serpente a gerar a II Guerra.