23 de março de 2011

Chega ao Brasil o 'talento iluminado' de um jovem escritor

Sempre me agradou a ideia de não se saber como se escreve um livro. De aprender a escrever com cada um e, ao terminá-lo, ser tomado novamente pela dúvida. Um escritor é diferente de um escrivão. Se sabe perfeitamente como executar seu trabalho, então é um impostor. Leitores não merecem fórmulas, mas assombros. E um autor não pode espantar ninguém se não é primeiro assombrado pela linguagem.

Anote o nome do autor dessas palavras: Andrés Neuman. Melhor ainda, leia um de seus livros! Como Bariloche (Anagrama, 1999), La Vida en las Ventanas (Espasa, 2002) e Una Vez Argentina (Anagrama, 2003). Certamente você ainda ouvirá falar muito dele. Esse jovem escritor argentino (Buenos Aires, 1977) é um dos convidados da próxima Flip, em julho, e foi elogiado pelo chileno Roberto Bolaño com tendo “um talento iluminado”. Relacionado pela revista britânica Granta entre os 22 melhores narradores jovens em espanhol, Neuman atualmente é colunista da Revista Ñ (jornal Clarín, Argentina) e do suplemento cultural do diário ABC (Espanha).
......Premio de la Crítica, concedido pela Asociación Española de Críticos Literarios no ano passado, Andrés Neuman tem o seu O Viajante do Século, de 2009, traduzido agora no Brasil (Alfaguara, 456p., R$ 55,00, trad.: Maria Paula G. Ribeiro). Dando continuidade ao culto do fantástico, marcante na literatura latinoamericana, Neuman cria nessa obra uma cidade (Wandernburgo), retratando, com suas ruas instáveis, a Europa como um todo. Em tal espaço urbano imaginário, o viajante Hans, em pleno século XIX, se apaixona pela insinuante Sophie. A inspiração vem de Viagem de Inverno, sinfonia de Schubert, para narrar uma história de amor à moda romântica, mas se valendo de termos modernos.
......A respeito desse livro, Maarten Steenmeijer (De Volkskrant, Holanda) assegura: “Por fim a literatura latinoamericana obtém sua mais que esperada novela europeia, com a mesma ambição, erudição e vitalidade de obras como Cem Anos de Solidão [G.G. Marquez] e A Casa Verde [M.V. Llosa]. Neuman não é apenas uma notícia brilhante para América Latina, como também para a literatura europeia”.
......Andrés Neuman mantém um site próprio e o blog Microrréplicas, pelos quais dá para se manter atualizado sobre os rumos literários desse jovem e acessível autor. Confira ainda a entrevista dada por ele a Ubiratan Brasil, no Estadão.

22 de março de 2011

Acervo de Mindlin gera publicação inusitada

Centenas de modelos, entre os 40 mil livros da biblioteca do empresário José Mindlin, doados para compor o acervo da Biblioteca Brasiliana USP (com inauguração prevista para janeiro de 2012), deverão resultar em breve numa publicação um tanto diferente.

É que desde 2010 a fotógrafa Lucia Loeb, neta do bibliófilo, prepara um livro todo feito com mais de cem guardas de livros do acervo de seu avô, informa a jornalista Raquel Cozer, em matéria do jornal O Estado de S.Paulo (19/mar./11). Para quem não sabe, guardas são as páginas duplas, coloridas ou não, coladas entre a 2.a e a 3.a capas e o corpo do livro. Em geral mais grossas do que as páginas do miolo, têm por função reforçar a estrutura de livros maiores. Elas teriam surgido para evitar que a cola usada na capa não sujasse o miolo, mas acabaram se tornando também páginas decorativas.

Lucia Loeb diz ter ficado impressionada com a beleza de várias guardas de livros de Mindlin, como a da 1.a edição de Os Sertões (1902) e outra de Os Lusíadas (datada de 1876). Daí veio a ideia de organizar o livro/CD Páginas de Cortesia, ainda sem data definida para publicação pela Editora do Bispo.

21 de março de 2011

De onde vêm as boas ideias: o acaso favorece as mentes conectadas

Todos nós estamos interessados em ser mais criativos e ter ideias cada vez melhores, bem como as organizações, em serem sempre inovadoras. Mas qual o caminho das pedras para tanto? Trata-se de uma questão particularmente instigante num mundo em que as atividades humanas são por excelência colaborativas, o que levaria a uma primeira pista: com relações produtivas a partir de tal carga de conexões, quanto mais conectado, maior a tendência para ideias verdadeiramente originais.
......É justamente de onde parte o mais novo livro do americano Steven Johnson, tido como um dos maiores pensadores do ciberespaço, buscando identificar De Onde Vêm as Boas Ideias, a ser publicado neste ano pela Zahar. Em Where Good Ideas Come From. The natural history of innovation (2010), o ex-colunista da badalada Wired e editor-chefe e co-fundador da Feed, premiada revista cultural on-line, defende que inovação nasce do caos, e não, como se convenciona imaginar, a partir de insights geniais tirados do nada após momentos de isolamento em contemplação.
......Graduado em semiótica pela Brown University e em literatura inglesa pela Columbia University, aos 41 anos de idade, Johnson vive em Nova Iorque desde 1991. Sua concepção de conectividade da inovação indica que, com frequência, as melhores ideias surgem de redes de outras ideias ou da criação a partir de processos e ideias já inventados. Cabe “pegar emprestada uma ideia de outra pessoa e desenvolvê-la em outro campo, fazer algo completamente novo”. Para ele, ideias revolucionárias não tendem a surgir de surto repentino de inspiração. Elas precisam de tempo de hibernação e acabam surgindo como fruto da fusão de palpites pontuais, originalmente isolados, menores, portanto, do que aquilo no qual resultam. Ótimo exemplo disso é apresentado no filme que narra a criação do Facebook, A Rede Social.
......Para Jonhson, uma meta seria criar sistemas promotores de palpites que se unam e se tornem algo verdadeiramente maior. Ele destaca a importância que, por exemplo, cafés e salões parisienses tiveram para fomentar ideais e inovações que desaguaram no Iluminismo e Modernismo. Esses locais constituíram verdadeiros motores de criatividade, a combinar ideias antes dispersas para ganhar formas novas. Vem da importância de se estimular esses processos, observa ele, a longa história de “defesa de sistemas abertos, seja em universidades, seja em ciência experimental, seja na internet”.
......Frente ao debate atual sobre o que o mundo da web, com seu estilo de vida multifuncional e hirperconectado, estaria causando ao nosso cérebro, Jonhson argumenta que “o grande propulsor da inovação científica e tecnológica sempre foi o aumento histórico na conectividade e na capacidade de buscar outras pessoas com quem possamos trocar ideias e pegar emprestado palpites alheios, combiná-los com nossos próprios palpites e transformá-los em algo novo”. Eis aí, para ele, o motor primordial da criatividade e da inovação nos últimos séculos.
......Nesse sentido, classifica como maravilhoso aquilo trazido pelos recursos tecnológicos nos últimos 15 anos: “temos tantas novas formas de nos conectar e tantas novas formas de buscar e encontrar novas pessoas que possuem aquela peça que faltava para completar a ideia com que estávamos trabalhando ou com alguma informação nova ou incrível que podemos usar para desenvolver ou melhorar as nossas próprias ideias”. Essa seria a verdadeira lição a respeito de onde vêm as boas ideias: “o acaso favorece as mentes conectadas”!
......O vídeo abaixo, um verdadeiro trailer deste livro, é por si só um atrativo, em particular pela animação com que, em minutos, desenvolve a complexa, ainda que translúcida, teia de relações que sustentam a tese de Johnson.

Acesse aqui a entrevista de Steven Johnson em O Globo (14/nov./10)

18 de março de 2011

'Dores da Colômbia', a angústia de Botero frente à violência do seu país

A obra satírica do artista plástico colombiano Fernando Botero, reconhecido por pintar figuras corpulentas e roliças desdenhando de estereótipos da sensualidade em vigor, possui outro lado menos conhecido, no qual vê-se reforçada sua angústia criativa: a violência da história do seu país. A exposição Dores da Colômbia, em São Paulo (Centro Cultural Caixa Econômica, Pça. da Sé, 111, de 15/mar. a 1.o/maio, de 3.a a domingo, das 9h às 21h, entrada franca, 11 3121-4400), revela o que o artista de 78 anos chamou de “um testemunho da irracional história colombiana”.

Mesmo sendo declaradamente “contra a arte como forma de combate”, diante do drama que afetou a Colômbia Botero afirma ter sentido obrigação “de deixar um registro sobre o momento irracional de nossa história". Assim, são 36 desenhos, 25 pinturas a óleo e seis aquarelas nos quais o artista, conhecido por suas gordinhas e gordinhos erotizados, faz-se testemunha de um período histórico profundamente turbulento da Colômbia.

Una Madre, Fernando Botero, 1999, óleo sobre tela.

17 de março de 2011

Flores do deserto contra mutilações femininas

Enquanto no Ocidente as mulheres avançam na conquista de seus direitos civis -- embora haja ainda um longo caminho a ser percorrido até a igualdade com os homens --, no Oriente a secular discriminação de gênero continua a se justificar nos territórios da tradição, da cultura e da religião para se traduzir, não raro, em torturas, punições horrendas e execuções públicas contra o sexo feminino.
......Mesmo as recentes revoltas populares que hoje alteram o cenário político no Oriente Médio e na África não garantem às mulheres nenhuma certeza de que passarão de simples “mercadorias de troca”, como têm sido há séculos, à condição de cidadãs participantes na construção de sociedades livres. Ativas nessas manifestações e levantes contra os ditadores do mundo árabe, o desafio delas agora é fazer valer a sua real contribuição nesses episódios para alcançar progressos significativos na condição feminina daqui para frente nesses países.
......Tão importantes quanto a queda dos ditadores e a construção de nações respeitosas dos direitos de sua população são as mudanças nas tradições arcaicas de submissão, subserviência e opressão feminina. E para fazer valer esse novo código de conduta, duas mulheres, cada qual a seu modo, enfrentaram humilhações e continuam superando pressões e censura para fazer valer o seu desejo de dignidade e independência.

......Uma delas é a psiquiatra e escritora egípcia Nawal El Saadawi, ex-exilada política que, além de feminista histórica, inspirou com suas ideias o movimento que levou à queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro passado. A perseguição política à Nawal teve início nos anos 70, quando ela publicou Mulheres e Sexo, contando os problemas decorrentes da mutilação genital que sofreu quando era uma menina de 6 anos. O livro foi retirado de circulação e proibido durante duas décadas no Egito. Depois disso, por conta de sua militância contra o fanatismo religioso, Nawal continuou perseguida, foi presa e processada pelos fundamentalistas por "trair" a religião muçulmana.
......Nawal também é autora de A Face Oculta de Eva (Global Editora, 2002), com depoimentos e entrevistas sobre a opressão vivida pelas mulheres nos países árabes. Hoje, aos 80 anos de idade, a ativista, que inclusive concorreu em 2005 à presidência do Egito contra Mubarak, permanece na luta pela liberdade política e pela inclusão social das mulheres egípcias. Para ela, “não existe democracia sem igualdade entre homens e mulheres”.
......A foto de Nawall (acima, sem crédito) é reproduzida do seu site, que, por sinal, traz a seguinte epígrafe: “Para as mulheres e os homens que escolhem e pagam o preço da liberdade, em vez de continuar pagando o preço da escravidão”.
......Outro ícone da luta contra a opressão feminina, dessa vez no continente africano, é a modelo, atriz e escritora somali Waris Dirie. Ela é a autora do best-seller internacional Flor do Deserto, publicado nos EUA em 1997 e com 11 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. Autobiográfico, o livro conta como ela foi obrigada a se submeter à mutilação genital aos 5 anos.
......Aos 13, fugiu de um casamento forçado com um homem que tinha idade para ser seu avô e foi parar em Londres, onde trabalhou como faxineira no McDonald’s até ser descoberta por um grande fotógrafo, tornando-se então modelo e celebridade internacional.
......Em 2008, conseguiu ampliar a denúncia sobre a opressão contra as mulheres da África e do Oriente Médio, quando a sua história foi transportada para o filme Flor do Deserto (veja abaixo entrevista sobre ele), protagonizado por outra top model, a etíope Liya Kebede. A aterrorizadora cena da mutilação é recriada no filme com a intenção de alertar o público e poupar futuras gerações de mulheres.
......Embaixadora especial da ONU para a eliminação da mutilação genital feminina, Waris vive em Viena, onde preside a Desert Flower Foundation, que tem por objetivo eliminar do planeta esse violento ritual praticado diariamente, por muçulmanos e cristãos, em oito mil meninas.

16 de março de 2011

‘Los Días del Arcoiris’, de Skármeta, leva o Prêmio Planeta-Casa de América

O Prêmio Íbero-americano de Narrativa Planeta – Casa de América, em sua quarta edição, acaba de ser consagrado a Los Días del Arcoiris, do escritor chileno Antonio Skármeta, como o melhor livro entre 639 títulos inscritos. Objetivando promover a narrativa em língua espanhola em todos os países íbero-americanos, o prêmio rendeu US$ 200 mil ao autor vencedor, em anúncio feito nesta terça-feira, em Santiago do Chile. Esta obra repassa, a partir do olhar de uma criança de 11 anos, os dias do Plebiscito Nacional que, em 1988, perguntou à população chilena se o general Pinochet deveria continuar no poder.
......Esteban Antonio Skármeta Branicic nasceu em Antofagasta em 1940 e é descendente de croatas. Cursou filosofia e literatura na Universidade do Chile, completando seus estudos nos EUA e graduando-se na Universidade de Columbia. Foi membro da organização de esquerda Movimento de Ação Popular e Unitária (MAPU) e, em 1973, quando era professor de literatura da Universidade do Chile, precisou abandonar o país por força do golpe militar promovido por Pinochet. Após morar um tempo na Argentina, fixou residência na Alemanha, regressando ao seu país apenas em 1989.
......Entre os prêmios obtidos por Skármeta estão o Casa das Américas (Havana, 1969), pelo livro de relatos Desnudo en el Tejado; o Internacional de Literatura Bocaccio (Itália, 1996), por sua novela No Pasó Nada; o Grinzane Cavour (Itália, 2001), pela novela La Boda del Poeta; e, sob pseudônimo de María Tornés, recebeu o Planeta (Espanha, 2003), por El Baile de la Victoria.
......O seu O Carteiro e o Poeta (1985) foi vertido duas vezes para o cinema e, em 1994, El Cartero de Neruda recebeu cinco indicações ao Oscar. No Brasil, a Record detém a publicação do maior número de títulos de Antonio Skármeta.

15 de março de 2011

O colorido em fotografia

As imagens aqui postadas são do fotógrafo russo Sergei Mikhailovich, em registros do interior do seu país. Se lhe perguntassem se elas datam de 1910, 1950 ou 1990, por qual desses anos você optaria?
.....Pois é, elas pertencem a um conjunto de 34 fotos do site ‘The Big Picture. News stories in photographs’, trazendo ao público internético parte do levantamento fotográfico do Império Russo realizado por Mikhailovich, sob encomenda do czar Nicolau II, entre 1909 e 1912.
.....Para obtenção do colorido, foram empregados filtros sucessivos. Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii (1863-1944), para essa belíssima coleção, usou uma câmara própria para capturar três imagens em preto e branco, em sequência bem rápida, com filtros vermelho, verde e azul. Isso possibilitou que, posteriormente, elas fossem combinadas para se chegar muito próximo às colorações originais.
.....O fato é que fica difícil, frente a resultado de tal qualidade, acreditar que essas imagens foram feitas há um século, quando nem a Revolução Russa nem a I Guerra Mundial haviam sido deflagradas, como o próprio site destaca. A mostra oferecida pelo ‘The Big Picture’ faz parte de um lote de centenas de imagens coloridas disponibilizado pela Biblioteca do Congresso americano, que comprou as placas em vidro originais delas em 1948.
.....Como registro A primeira fotografia, considerando uma “imagem inalterável, produzida pela ação direta da luz”, foi tirada por Joseph Nicéphore e data de 1826: a vista descortinada da janela do sótão de sua casa, em Chalons-sur-Saône Niepce. Foram necessárias oito horas de exposição para sua obtenção. Outra informação a valorizar ainda mais o trabalho de Mikhailovich é que apenas em 1935 o mundo ganharia o cromo colorido, para uso em escala, quando a Kodak lança o Kodachrome (impactante a toda uma geração, essa marca emprestou nome a uma famosa música de Paul Simon, em 1973).
Foto 1 Mulher sentada à beira do Rio Sim, bacia do Volga, 1910 (Prokudin-Gorskii Collection)
Foto 2 Autorretrato de Mikhailovich, de terno e chapéu, próximo ao Rio Karolitskhali, nas montanhas do Cáucaso, 1910 (Prokudin-Gorskii Collection)

14 de março de 2011

‘Sartre de Beauvoir’: 25 anos sem Simone

Autora do célebre princípio até hoje caro ao movimento feminista, o de que “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”, Simone de Beauvoir (9/jan./1908 - 14/abr./1986) é objeto de interessantíssima análise do cientista político Luciano Oliveira, que a JacEdit faz questão de trazer com exclusividade ao público leitor deste blog. Há 25 anos de sua morte, a pensadora e escritora francesa tem no ensaio “Sartre de Beauvoir” sua relevância histórica revista por Luciano, em particular no comparativo ao legado deixado por Jean-Paul Sartre (21/jun./1905 - 15/abr./1980), com quem, por meio século, formou o casal que quebrou paradigmas e serviu de espelho para toda uma geração.
.....O professor da Universidade Federal de Pernambuco concentra sua abordagem na Simone de Beauvoir autora de O Segundo Sexo (1949): “Mas quem escreve uma obra dessa magnitude aos 41 anos precisa de outras credenciais?”, pergunta Luciano, a sustentar o foco do seu artigo. Para ele, enquanto o Sartre ultra-esquerdista assim como o filósofo da fase existencialista estão datados, Beauvoir, sem ter inventado o feminismo, “tornou-se a teórica mais importante da – como costuma se dizer – única revolução que deu certo no século XX: a das mulheres!” E um dos pontos mais lúcidos do pensamento dela reside justamente em ter identificado que ser mulher não é a mesma coisa que ser fêmea. “Macho e fêmea são destinos biológicos; mulher e homem são construções históricas”, reforça Luciano. “O que hoje até parece uma banalidade, não o era então.”
.....Criticando a própria demora em conferir a devida importância à pensadora francesa a um quê de reprodução, ainda que inconsciente, do olhar que concebe um papel subalterno da mulher no mundo (“Beauvoir sempre foi ‘a mulher de Sartre’”), reproduzido também por intelectuais de sua geração, Luciano indica como Simone, “com brilho e uma erudição de tirar o fôlego”, compôs num livro monumental (O Segundo Sexo) sua análise e denúncia dessa condição feminina. “Simone de Beauvoir é autora de uma obra que, com o passar do tempo e as peripécias da história, tornou-se mais importante do que a de Jean-Paul Sartre! Por quê?”
.....Eis o que Luciano Oliveira vislumbra responder em seu artigo “Sartre de Beauvoir”, numa abordagem enriquecida por sua enorme consistência acadêmica e conduzida pela saborosa escrita literária que marca seus escritos. O link acima leva ao teor integral de tal texto.

Luciano Oliveira – doutor em sociologia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris), como pesquisador e professor transita entre a sociologia e a ciência política; imprime aos seus escritos um estilo em que o rigor metodológico é amaciado pelo recurso de uma expressão literária toda própria. Por isso, prefere definir-se como ensaísta. Entre suas obras, em O Inigma da Democracia. O pensamento de Claude Lefort (JacEdit: 2010, 128p.), livro prefaciado por Marilena Chaui, ele desfila de forma precisa e concisa a concepção lefortiana de democracia, como o modo democrático de instituição da sociedade que melhor responde ao desafio – angustiante, reconhece Luciano – de viver e conviver despido da crença de que alguma força política possa deter o segredo da felicidade humana. Uma obra digna de ser conhecida.

A propósito da pensadora francesa: indicamos o site Simone de Beauvoir para se conhecer detalhes sobre sua vida e obra. Criado por Wagner Campelo, “paisagista por formação (UFRJ), designer por acidente, fotógrafo por hobby, escritor por teimosia”, essas páginas são muito bem estruturadas e de bom gosto. Rico em detalhes biográficos, trazem amplo repertório de imagens, dados sobre os escritos de Beauvoir e material publicado a seu respeito, links para outros sites, vídeos dela e sobre ela etc. Destaque para o belíssimo nu de Simone, enquanto se arrumava após um banho, em imagem capturada em 1952 pelo fotógrafo Art Shay (ao que ela teria reagido: “Homem travesso!”).

13 de março de 2011

Um filme especial de Ettore Scola

Una Giornata Particolare (Um Dia Especial, 1977, 105 mim.) é desses filmes absolutamente brilhantes. Roteirizado e dirigido por Ettore Scola, é imperdível, a começar pelas interpretações de Sophia Loren e Marcello Mastroianni, diferentes de seus papéis de la dona fogosa e do galã implacável em geral presentes nas grandes produções italianas.

Nessa giornata, Sophia e Mastroianni vivem dois “peixes fora d’água”, afundados na solidão e desesperança de suas distintas condições marginais. Terão os destinos cruzados quando, em 8 de maio de 1938, Roma mobiliza sua população para um gigantesco desfile militar em comemoração à visita de Adolph Hitler à Itália fascista de Benito Mussolini. O filme começa exatamente com uma sequência documental, em preto-e-branco, da chegada do ditador alemão à cidade e o seu encontro com Il Duce. O aparato da propaganda de dois regimes autoritários, à beira de levar o mundo ao maior de seus conflitos bélicos, demonstrava o seu poder mobilizador das massas.

O episódio histórico introduz a trama de ficção, contrastando o fascismo em sua hegemonia e o particular da humilhação sofrida, cada qual à sua maneira, por uma mulher e um homem, vizinhos num conjunto popular em Roma. Antonietta (Sophia Loren) é uma dona de casa subserviente ao marido machista, escrava dos seis filhos, inculta e fascista de carteirinha. Já o radialista desempregado Gabriele (Marcello Mastroianni) está desencantado da vida, em particular com o regime vigente.

Enquanto praticamente todos os moradores saem para a grande manifestação partidária, Antonietta e Gabriele permanecem em seus apartamentos. É aí que a narrativa leva as personagens a se conhecerem, se estranharem e, por fim, se solidarizarem, sempre tendo por pano de fundo a transmissão radiofônica da apoteótica festa fascista.

Além da reconhecida química entre os dois atores centrais, destaque para o roteiro e a direção de fotografia, valorizando detalhes como do apartamento onde vive a família numerosa, num conjunto habitacional a lembrar um formigueiro de gente, em que as roupas são estendidas em áreas coletivas e os elevadores não conseguem transportar o grande número de moradores.

Notáveis são também os movimentos de câmera. Logo na abertura da ficção, um único plano-sequência mostra a fachada de um dos prédios e se aproxima de uma janela de cozinha, onde Antonietta passa roupa e prepara o café, indo apartamento adentro – sem um único corte na tomada –, percorrendo com a dona de casa os diversos cômodos, enquanto ela, sôfrega de sono, acorda a penca de filhos e o marido. Outra cena antológica é a de Antonietta e Gabriele na cobertura do prédio, em que, em meio às roupas brancas esvoaçantes nos varais, o drama chega ao ápice, e valores, tensões e verdades são desvelados ao sabor do vento.

Premiado à época com o David di Donatello (melhor filme e melhor atriz, Sophia Loren) e como melhor filme estrangeiro com o César e o Globo de Ouro, além de duas indicações ao Oscar (melhores ator, Marcello Mastroianni, e filme estrangeiro), Una Giornata certamente é curtição garantida em seus vários atributos cinematográficos.

Ettore Scolla (diretor de O Baile, 1983; Casanova e a Revolução, 1982; e Feios, Sujos e Malvados, 1976), certa vez afirmou que “o cinema não pode mudar o mundo nem a realidade, mas pode ajudar a refletir”. O impensado casal que ele compõe para nossas reflexões em Um Dia Especial vive com inesperada intensidade uma relação única. Mas, apesar dos dramas e esperanças assim compartilhados, isso acaba não alterando em nada o rumo de suas vidas. O nazifascismo estava preste a mostrar suas garras também ao mundo.

10 de março de 2011

Buenos Aires: cidade-mundo dos livros

Engana-se quem acredita que a grande atração portenha é o tango. Os leitores incontestes identificam Buenos Aires pela tradição de seus escritores premiados, revistas literárias, casas editorais, boas livrarias e bibliotecas públicas. Não à toa ela foi designada pela Unesco como a “Capital Mundial do Livro 2011”.

Para celebrar esse título, a capital argentina se prepara para receber, a partir de 20 de abril até 7 de maio deste ano, um público estimado em mais de um milhão de pessoas interessadas em apreciar publicações das mais distintas procedências, além de participar de atividades culturais e de debates sobre o mercado editorial nesse país e no mundo.

Trata-se da 37.ª Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, o mais expressivo evento dessa natureza no mundo da língua hispânica. Organizada anualmente pela Fundación El Libro, ocupa 50 mil m2 de um edifício no bairro portenho de Palermo e oferece programação variada, incluindo atrações culturais, educativas e profissionais comandadas por escritores, editores e personalidades da literatura e da cultura argentinas.

Na edição de 2011, as conferências, mesas-redondas e painéis contarão também com a presença dos autores espanhóis Juan José Millás, Rosa Montero, Adolfo García Ortega e Antonio Muñoz Molina, do zambiano Wilbur Smith, da mexicana Margo Glantz, do artista plástico uruguaio Carlos Páez Vilaró e do sociólogo francês François Dubet, entre outros destaques internacionais. Isso sem falar do escritor peruano Mario Vargas Llosa, que abrirá o evento, a despeito da tentativa de um grupo de intelectuais argentinos de vetar a participação do Nobel de Literatura 2010, por conta de postura política e ideológica dele, que diverge do grupo.

Afora essa polêmica em torno dos convidados, a feira promete reunir editoras, distribuidoras e livrarias nacionais e estrangeiras, instituições culturais e educativas, meios de comunicação e representantes de vários países em estantes distribuídos em cinco diferentes pavilhões. Detalhe: um júri formado por especialistas premiará os melhores estandes, em cinco categorias: comercial, institucional, de província argentina, de país estrangeiro e por originalidade / criatividade.

Um sexto módulo da feira abrigará as jornadas profissionais, que discutirão os rumos da editoração, direitos autorais, edição digital, produção editorial universitária, literatura de ficção, entre muitas outras temáticas. Ainda nesse espaço, os visitantes poderão conferir exposições plásticas e fotográficas. Um dos pontos altos será no dia 7 de maio, quando a cidade será percorrida por uma maratona de leitura organizada por artistas, no que promete ser um grande passeio literário.

Confira a programação da 37.a Feira Internacional do Livro de BA.
Foto: Jac©Edit

9 de março de 2011

Pensamento de Foucault ganha três novas publicações

Acabam de chegar ao público brasileiro três novas publicações sobre o pensamento de Michel Foucault (1926-1984). Em Foucault e a Revolução Iraniana (Editora É, trad.: Fábio Monteiro de B. Farias, 480p., R$ 89,00), Janet Afary e Kevin B. Anderson trabalham os artigos escritos pelo filósofo francês sobre o conflito que, em 1979, levou o aiatolá Ruhollah Khomeini ao poder no Irã, lá estabelecendo uma teocracia islâmica. Foulcault chegou a apoiar, num primeiro momento, os fundamentalistas religiosos que derrubaram a monarquia autocrática pró-ocidental do xá Reza Pahlevi, conflitando com intelectuais contemporâneos seus, que viam no novo regime a representação do confronto entre o mundo religioso arcaico e a modernidade laica.

Em defesa do autor de Vigiar e Punir (1975), que em 1978 visitou o Irã como correspondente do jornal Corriere della Sera, haveria o fato de ele ter sido “tocado pelo heroísmo das multidões iranianas diante da polícia e do Exército do xá", segundo o historiador Paul Veyne, amigo e colaborador do filósofo, conforme o livro Foucault: seu pensamento, sua pessoa (Civilização Brasileira, trad.: Marcelo Jacques de Morais, 256p., R$ 32,90). Para Veyne, Foucault teria ultrapassado a neutralidade e tomado o partido dos revoltados, “sem esperar para ver se o islamismo não daria razões para a indignação dignas de suscitar revoltas pontuais”. Em síntese, Foucault focou sua visão na revolução iraniana como a luta da libertação de um povo.

Completando os lançamentos, no ano em que o pensador francês faria 85 anos de idade, está Como Ler Foucault (Zahar, trad.: Maria Luza X.A. Borges, 144p., R$ 30,00), no qual Johanna Oksala, pesquisadora da Universidade de Helsinque, Finlândia, tem propósito didático. Ela busca traduzir o discurso de Foucault e – como indica Antonio Gonçalves Filho, em seu artigo “Foucault e o Islã, mistura explosiva” – “ver em que ponto o nietzschiano filósofo aproxima-se de Heidegger - simpatizante e colaborador de outro regime obtuso, o nazista, nunca é demais lembrar”.

A propósito: em 2011 ainda se comemora meio século da publicação de História da Loucura (Perspectiva, 2004, 7.a ed., 558p., R$ 50,00), em que Foucault destrói a concepção do internamento como única solução para lidar com a loucura e ataca o domínio exercido pelas concepções médicas em seu tratamento. Para ele, a loucura não é uma entidade fixa, mas sim construída tanto social e politicamente quanto medicamente. Leitura fundamental, diga-se.

Conheça mais o filósofo francês em ‘Espaço Michel Foucault’.

2 de março de 2011

CBL com nova presidente: Karine Pansa

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) teve sua nova diretoria empossada para o biênio 2011/2012 nesta semana. Assume sua presidência Karine Pansa, sucedendo a Rosely Boschini, há dois mandatos no cargo e com resultados bastante elogiados entre as empresas do setor. Encabeçando a chapa Trabalho e Seriedade, a única registrada ao pleito, Karine é formada em administração de empresas e sócia-diretora da Girassol Brasil Edições. Iniciou sua carreira editorial no segmento infantil como tradutora e na preparação de originais, posteriormente passando pelo departamento comercial e a administração geral da empresa.

Estão também à frente da atual gestão, como vice-presidentes, Bernardo Gurbanov, da Editora Letra Viva (Administrativo e Financeiro); Hubert Alquéres, da Bandeirantes Comércio de Material Didático – Editora Jatobá (Comunicação); e Vítor Tavares, da Distribuidora Loyola de Livros (secretário). Integrará a nova equipe ainda o administrador de empresas e profissional de marketing Mansur Bassit, como diretor-executivo, advindo da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Foto: Aguinaldo Pedro/CBL

1 de março de 2011

Há 55 anos

O CORAÇÃO BÁRBARO DO BRASIL, Rachel de Queiroz
Publicado em Flagrantes do Brasil, de Jean Manzon (Bloch Ed., 1956)

Uma das mais fortes emoções que o papel impresso já me proporcionou, devo-a ao cidadão do mundo, Jean Manzon. Era uma fotografia, e representava um guerreiro Xavante de arco esticado, a seta apontada para o céu, pontaria alçada contra o avião cuja sombra negra lhe aparecia ao lado. Além de toda a fôrça plástica de quadro tão belo, havia ainda um elemento dramático, eterno, na-quele flagrante. Era o próprio coração bárbaro do Brasil, enfrentando o mundo, o choque inicial do homem primitivo contra os engenhos mais modernos da civilização – era assombroso constatar que o selvagem não se apavorava, que sozinho e nu no meio da selva enfrentava a espantosa ave de ferro carregada sabe Deus de que mistério e de que inimigos.
.....Essa fotografia foi feita em plena guerra, quando os tanques e os aviões de nazistas punham de joelhos a Europa inteira. Fazia bem, dava vontade de chorar, ver a cólera e a bravura do bárbaro no próprio instante em que metade do mundo, acovardada e vencida, enchia a gente de vergonha de pertencer à raça humana também.
.....Agora Manzon publica o seu álbum de imagens – este Flagrantes do Brasil, que se poderia chamar, como o livro de Paulo Prado, Retrato do Brasil.
.....Meu Deus, que grande superioridade têm as imagens sôbre as palavras! Imagens dispensam interpretações e comentários, imagens são numa coisa em si, concretas e incorruptíveis. E se as excelentes legendas de Orígenes Lessa enriquecem o álbum – a verdade é que elas não são indis-pensáveis, que palavras algumas são indispensáveis para explicar o que as imagens já dizem. Elas falam por si, e com que violência, e com que beleza! Dezenas de volumes não diriam sobre o Brasil uma parcela apenas do que elas dizem. Nem ufanismo ingênuo nem pessimismo esnobe. Apenas nós tal como somos, nus e crus, nas cidades e na floresta, no sertão, nos rios e no mar. O Rio de Janeiro na sua beleza incomparável e na sua indisfarçável miséria que sobe de morro acima e lá se exibe aos olhos de quem quiser ver. O carnaval, vítima de tanta literatura, falando desta vez a sua linguagem plástica, concentrando no preto e no branco, surpreendido nos seus momentos de maior abandono e força mágica. Muitos filhos de outras terras têm escrito sôbre o Brasil, têm procurado pintar o Brasil. Mas sempre usam de exageros quer de gentileza quer de má-vontade, sempre nos descrevem piores ou melhores do que somos, eldorado cheio de araras e de orquídeas, terra de mistérios que depois de quatrocentos e cinqüenta anos continuam ainda sendo “uma promessa”. É o “país do futuro”, do “slogan” e é a realidade de miséria, doença e desordem política.
.....Jean Manzon preferiu não falar. Deixou que seu depoimento fosse gravado pelo olho da câmera, que não mente, que é de vidro e matéria plástica e metal branco, não tem ouvidos para escutar lisonjas nem mão para propinas. É o registro mais veraz que o homem inventou, é o inimigo da mentira trabalhando com luz e papel branco.
.....E talvez agora o mundo, vendo esse nosso retrato honesto, fique nos conhecendo melhor, nos ignorando menos; talvez aqueles que nos imaginam apenas como mestiços indolentes tocadores de violão, sintam agora por nós um respeito maior, vendo como somos uma gente laboriosa, resistente, humilde, destemida e cordial. Que somos realmente um povo.

Rachel de Queiroz: escritora e jornalista cearense (17/nov./1910 - 4/nov./2003), autora, entre outros, de O Quinze, As Três Marias, Dôra, Doralina e Memorial de Maria Moura; colaboradora desde os anos 30 de jornais como Correio da Manhã, O Jornal e Diário da Tarde, além de cronista da revista O Cruzeiro; em 1977 tornou-se a primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras. Faleceu, com quase 93 anos, dormindo em sua rede, na cidade do Rio de Janeiro.

28 de fevereiro de 2011

Homenagem a Moacyr Scliar

O conto “Zap”, de autoria de Moacyr Scliar, foi publicado no livro Contos Reunidos, da Companhia das Letras, em 1995. Faz parte da vasta produção do escritor (e também médico) gaúcho que totaliza 80 romances, coletâneas de contos, de crônicas e livros infantis.

O autor, premiado com vários prêmios Jabutis nas suas cinco décadas de carreira, faleceu ontem (27/fev.) em Porto Alegre (RS), aos 73 anos de idade, depois de mais de um mês hospitalizado por conta de um acidente vascular cerebral.

“Zap” é um dos textos que sempre fizeram muito sucesso entre os meus alunos de jornalismo, nas aulas de leitura e interpretação de textos. Sua reprodução a seguir neste blog é uma homenagem ao autor.

....Não faz muito que temos esta nova TV com controle remoto, mas devo dizer que se trata agora de um instrumento sem o qual eu não saberia viver. Passo os dias sentado na velha poltrona, mudando de um canal para outro — uma tarefa que antes exigia certa movimentação, mas que agora ficou muito fácil. Estou num canal, não gosto — zap, mudo para outro. Não gosto de novo — zap, mudo de novo. Eu gostaria de ganhar em dólar num mês o número de vezes que você troca de canal em uma hora, diz minha mãe. Trata-se de uma pretensão fantasiosa, mas pelo menos indica disposição para o humor, admirável nessa mulher.
.....Sofre, minha mãe. Sempre sofreu: infância carente, pai cruel etc. Mas o seu sofrimento aumentou muito quando meu pai a deixou. Já faz tempo; foi logo depois que nasci, e estou agora com treze anos. Uma idade em que se vê muita televisão, e em que se muda de canal constantemente, ainda que minha mãe ache isso um absurdo. Da tela, uma moça sorridente pergunta se o caro telespectador já conhece certo novo sabão em pó. Não conheço nem quero conhecer, de modo que — zap — mudo de canal. "Não me abandone, Mariana, não me abandone!" Abandono, sim. Não tenho o menor remorso, em se tratando de novelas: zap, e agora é um desenho, que eu já vi duzentas vezes, e — zap — um homem falando. Um homem, abraçado à guitarra elétrica, fala a uma entrevistadora. É um roqueiro. Aliás, é o que está dizendo, que é um roqueiro, que sempre foi e sempre será um roqueiro. Tal veemência se justifica, porque ele não parece um roqueiro. É meio velho, tem cabelos grisalhos, rugas, falta-lhe um dente. É o meu pai.
.....É sobre mim que fala. Você tem um filho, não tem?, pergunta a apresentadora, e ele, meio constrangido — situação pouco admissível para um roqueiro de verdade —, diz que sim, que tem um filho, só que não o vê há muito tempo. Hesita um pouco e acrescenta: você sabe, eu tinha de fazer uma opção, era a família ou o rock. A entrevistadora, porém, insiste (é chata, ela): mas o seu filho gosta de rock? Que você saiba, seu filho gosta de rock?
.....Ele se mexe na cadeira; o microfone, preso à desbotada camisa, roça-lhe o peito, produzindo um desagradável e bem audível rascar. Sua angústia é compreensível; aí está, num programa local e de baixíssima audiência — e ainda tem de passar pelo vexame de uma pergunta que o embaraça e à qual não sabe responder. E então ele me olha. Vocês dirão que não, que é para a câmera que ele olha; aparentemente é isso, aparentemente ele está olhando para a câmera, como lhe disseram para fazer; mas na realidade é a mim que ele olha, sabe que em algum lugar, diante de uma tevê, estou a fitar seu rosto atormentado, as lágrimas me correndo pelo rosto; e no meu olhar ele procura a resposta à pergunta da apresentadora: você gosta de rock? Você gosta de mim? Você me perdoa? — mas aí comete um erro, um engano mortal: insensivelmente, automaticamente, seus dedos começam a dedilhar as cordas da guitarra, é o vício do velho roqueiro, do qual ele não pode se livrar nunca, nunca. Seu rosto se ilumina — refletores que se acendem? — e ele vai dizer que sim, que seu filho ama o rock tanto quanto ele, mas nesse momento zap — aciono o controle remoto e ele some. Em seu lugar, uma bela e sorridente jovem que está — à exceção do pequeno relógio que usa no pulso — nua, completamente nua
.”

A caricatura de Scliar, assinada por Fraga, é do site de Dodó Macedo.

25 de fevereiro de 2011

CBL cria Cadastro Nacional de Livros

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) acaba de assinar, nesta manhã (24/fev.), acordo para criação do Cadastro Nacional de Livros. A iniciativa, com o apoio direto da Federación de Gremios de Editores de España e da Fundação Biblioteca Nacional, resultará numa plataforma on-line disponibilizando a maior base de dados dos títulos em língua portuguesa, tendo como referência a plataforma espanhola Dilve (Distribuidor de Información del Libro Español en Venta).

Baseado na internet, esse cadastro padronizará e centralizará todas as informações das obras publicadas e comercializadas no Brasil, com impacto direto na cadeia produtiva do livro. A ferramenta permitirá a consulta completa de dados sobre qualquer livro publicado no País, além de facilitar o processo de sua busca e compra, simplificando o trabalho do conjunto de agentes do setor editorial.

Com ele, a CBL informa que pretende beneficiar editoras (ganham uma vitrine global e padronizada para divulgação de seus títulos), pequenos produtores (irão expor seus trabalhos a todos os envolvidos na rede comercial), pequenas e médias editoras (terão nova ferramenta para atingir distribuidoras e livrarias), livrarias (com acesso a milhares de livros e venda no Brasil), órgãos governamentais (nos processos de tomada de decisão de compra de títulos) e mídia impressa e online (contarão com a maior base aliada à melhor experiência de consulta de livros).

Essa iniciativa da CBL promete, e seus impactos decerto não serão pequenos. A versão beta do software do Cadastro Nacional de Livros estará à disposição das editoras a partir de abril. Já a versão oficial de testes será posta no ar em julho para experimentação pelo mercado editorial brasileiro.

22 de fevereiro de 2011

Obras de Machado de Assis em hipertextos

A disponibilização na web de clássicos da literatura que caíram em domínio público já não é novidade. Inclua-se aí páginas brasileiras da internet com nomes do porte de um Machado de Assis, por exemplo*. A novidade é que obras como Dom Casmurro e Helena agora estão sendo postadas com inúmeros links ao longo dos seus textos, remetendo a referências das mais diversas, que complementam sua leitura ao contextualizar a época das narrativas e subsidiar o leitor naquilo dificultado pela distância do período em que os livros foram escritos.

É o que o site Romance em Hipertexto proporciona a seus navegadores como fruto de um projeto de pesquisa desenvolvido pela Fundação Casa de Rui Barbosa, com o apoio do CNPq e da FAPERJ. Nele, junto com o acesso ao conteúdo integral de cada obra, são oferecidas também, em notas em forma de links, “explicações sobre todas as citações e alusões do texto: tanto as de natureza simbólica (autores, obras de arte, personagens, fatos históricos referidos por Machado de Assis), como as menções a lugares e instituições não-ficcionais (bairros e ruas da cidade do Rio de Janeiro, lojas, teatros, cafés que as personagens machadianas frequentam)” – registra no site Marta de Senna, coordenadora do projeto Romances de Machado de Assis como Hipertexto.

Além dos dois livros citados, já estão disponibilizados no site Ressurreição, A Mão e a Luva, Iaiá Garcia, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Esaú e Jacó, Quincas Borba e Memorial de Aires. Os demais romances de Machado estarão disponíveis daqui a alguns meses, é o que promete a equipe que lida com a edição e preparação dos links desses textos.

Fundação Casa de Rui Barbosa http://www.casaruibarbosa.gov.br/; Rua São Clemente, 134, Botafogo/RJ, (21) 3289-4600

(*) Outras prateleiras virtuais de obras de Machado
....http://machado.mec.gov.br/ parceria entre o Portal Domínio Público (a biblioteca digital do MEC) e a Universidade Federal de Sta. Catarina: organiza, sistematiza, complementa e revisa as edições digitais existentes na rede, gerando o que se pode chamar de Coleção Digital Machado de Assis;
....http://www.uol.com.br/machadodeassis/ coleção completa dos 217 contos de Machado: 205 reconhecidos consensualmente como da pena do autor, dez que lhe foram atribuídos por Magalhães Júnior (incorporados a despeito de dúvidas sobre tal autoria) e dois usualmente classificados como crônicas, aí incluídos devido a seu caráter ficcional.

21 de fevereiro de 2011

Encontro internacional discute economia criativa

Criatividade, imaginação e inovação aplicadas tanto na esfera dos produtos e serviços, como também na gestão de negócios, nos processos e tecnologias compõem, resumidamente, o que hoje em dia se configura como 'economia criativa'.

O termo, adotado em 2001 pelo inglês John Howkins, no livro The Creative Economy, refere-se à capacidade dos indivíduos de utilizar o seu capital intelectual como principal ferramenta produtiva. Em outras palavras, boas ideias agregando valor econômico e se constituindo como recurso diferenciado na competição pelo mercado de produtos e serviços.
Para discutir esse conceito e suas relações com a indústria, o design e a cultura, a Associação Objeto Brasil, em parceria com a Apex-Brasil, promoverá o Seminário Internacional IDEA/Brasil 2011, no dia 2 de março, às 19h, na ESPM (à Rua Dr. Álvaro Alvim, 123, Vila Mariana). Vale conferir!

Mais informações e inscrições no site da Objeto Brasil.

17 de fevereiro de 2011

Comunicação estratégica não pode ficar no discurso

Segue a reprodução do artigo escrito pelo professor da USP Wilson Bueno, publicado no Portal da Revista Imprensa, em 16/fev. É interessante notar, nos exemplos citados no texto, entre tantos outros que temos conhecimento, quão desconexos estão ainda o discurso e a prática das instituições, no que diz respeito às suas políticas de comunicação. Tanto que, nos tempos de crise, a primeira área a ser cortada do universo corporativo é a de comunicação; já nos tempos de bonança, ela ao menos sobrevive, mas jamais como estratégica.

"A comunicação estratégica não pode ficar apenas no discurso

O discurso da comunicação estratégica, e também o da comunicação integrada, frequentam o universo da comunicação empresarial há um longo tempo e, pelo que se percebe, a teoria e a prática, neste caso, estão completamente desalinhadas. Como assim? Ora, com exceção de algumas poucas organizações, a comunicação estratégica (deixemos para analisar a comunicação integrada em um próximo artigo) anda claudicando redondamente por vários motivos.

Em primeiro lugar, ela não pode ser efetivamente estratégica se não está umbilicalmente vinculada ao planejamento estratégico, o que quer dizer estritamente sintonizada com a gestão e a cultura organizacionais. Em boa parte das empresas, entidades etc, a comunicação não passa mesmo de um apêndice, de que se lança mão em determinados momentos e que é vista como mera ferramenta, portanto sob uma perspectiva exclusivamente operacional.

Em segundo lugar, a comunicação estratégica, para ser assim considerada, necessita estar respaldada em pesquisa, bancos de dados inteligentes, metodologias de avaliação/mensuração e para construção de cenários. Não pode ficar à mercê da intuição, do feeling dos gestores, aquela velha e ultrapassada conversa de que 'minha experiência garante o que estou fazendo'.

Finalmente, a comunicação estratégica exige conhecimento profundo dos públicos de interesse, dos stakeholders, e , convenhamos, a maioria das nossas organizações não anda fazendo direito a lição de casa. Muitas porque nem se deram conta de que não é possível incorporar inteligência à comunicação empresarial sem que o perfil dos públicos esteja suficientemente desenhado e que, portanto, esta é uma etapa fundamental do processo de construção da estrátegia. Como definir ações, estratégicas (a comunicação estratégica define estratégias ou não?), se apenas temos uma vaga impressão sobre os públicos? Como definir canais de relacionamento, níveis de discurso, posicionamentos etc, se não sabemos adequadamente os seus hábitos, a suas expectativas, as suas demandas e preferências?

Esta tarefa não é, sabemos disso, fácil: muito pelo contrário é cada vez mais complexa porque mudanças profundas estão ocorrendo no perfil dos públicos que se adaptam vertiginosamente às tecnologias, aos embates entre o global e o local, que se acomodam a novas relações de trabalho e assim por diante.

Os jornais dos últimos dias trouxeram alguns dados interessantes para a nossa reflexão a este respeito. Citemos apenas duas reportagens do Valor Econômico, ambas do dia 9 de fevereiro último. A primeira delas, com o título, Desemprego de jovens se torna epidemia mundial (p. A12) evidencia um fenômeno que se repete em todos os cantos: não há espaço no mercado de trabalho para os milhões de jovens, mesmo para uma maioria bem formada (ou com curso superior). Jovens sem emprego quer dizer jovens sem renda, jovens que podem estar buscando alternativas socialmente não louváveis para garantir o seu sustento ( o que provoca aumento dos índices de criminalidade) e que estão, em muitos casos, liderando movimentos sociais para exigir a mudança desse cenário. Os jovens têm estado à frente de protestos violentos nos países árabes (Egito, Irã etc) e engrossam os movimentos dos sem terra, dos que repudiam a agressão ao meio ambiente etc. São eles basicamente que se manifestam ruidosamente nas redes sociais exigindo posturas éticas de organizações e de governos. Os jovens clamam por democracia, pelo repúdio ao autoritarismo, esteja ele vinculado a ditadores nos governos ou a chefias nas empresas.

Um número expressivo de organizações ainda não acordou para esta realidade e continua apostando em sistemas não democráticos, em condições de trabalho que não privilegiam a qualidade de vida, que legitimam o assédio moral, e que inclusive restringem, quando não proíbem, o acesso às redes e mídias sociais.

Muitas organizações, portanto, estão comprometidas com uma cultura e uma gestão que afrontam os valores dos jovens e que não conseguem conviver com eles, enquanto funcionários ou consumidores. Há um vácuo neste relacionamento, que se define como resultado de um choque de culturas. Mas as empresas não podem descartar os jovens (eles são a maioria da força de trabalho em determinados setores) e, portanto, terão que rever este modelo que permaneceu atrelado ao passado e que insiste em não fazer a transição para a modernidade.

Mas esta divergência, esta falta de sintonia não se observa apenas na relação entre as organizações e os jovens, mas pode ser observada também na interação das empresas com os mais velhos.

Outra reportagem do Valor Econômico (p.B9) - com o título Uma geração envelhece e força as empresas a mudar nos EUA - escancara uma outra face desta realidade complexa: há um contingente expressivo de pessoas - os baby boomers (constituído pelos nascidos entre 1946 e 64), que estão chegando agora aos 65 anos, e que têm um perfil muito singular. Embora passem dos sessenta, eles não gostam, de forma alguma, de serem considerados "cartas fora do baralho" , fazem questão de participar ativamente do mercado de trabalho, querem ser reconhecidos como protagonistas do nosso tempo. Estes 'velhos dinâmicos' não se assumem como efetivamente aposentados (porque não são) e têm exigências em relação às empresas, suas posturas, seus produtos etc. E, o que é pior paras as organizações, têm peso no mercado de trabalho, nas relações de consumo e conseguem, muitos deles, ser referência para os que estão chegando agora no mercado, exatamente porque bem sucedidos.

Nos Estados Unidos, explica a reportagem, as empresas estão 'pulando miudinho' para entender o que desejam e para atendê-los até porque há estatísticas confiáveis que garantem que os 76 milhões de baby boomers por lá são responsáveis pela metade do consumo total das famílias e devem gastar mais de 50 bilhões de dólares apenas nesta década. Ora, nenhuma empresa americana (nem brasileira) vai querer abrir mão deste público, por todas as razões, mas sobretudo porque no mínimo vai doer no bolso, a parte mais sensível de boa parte delas.

E como fica a comunicação estratégica, se não acompanha, não monitora estas mudanças estruturais? Fica como o rei nu diante dos seus súditos.

Todos sabemos que os stakeholders têm o poder de impactar a imagem, a reputação e por extensão os negócios das organizações e que, portanto, toda comunicação efetivamente estratégica deveria estar apoiada em conhecimento mais do que trivial sobre os seus perfis. Mas isso ocorre? Não, é a resposta óbvia porque, na prática (a teoria é como a web, aceita tudo!), as organizações estão longe de garantir uma comunicação estratégica na verdadeira acepção da palavra (ou da expressão), como vimos no início deste artigo.

A constatação é uma só: ou os gestores definitivamente guindam a comunicação à sua condição de estratégica, superando o nível do mero discurso, ou vão ter problemas logo ali à frente, se é que já não estão sentindo o bafo do insucesso nas suas nucas.

Conhecer bem os públicos, interagir ética e transparentemente com os stakeholders, é uma questão de sobrevivência. Não há saída para o amadorismo, para a intuição não respaldada em fatos ou dados empíricos, para uma comunicação sem inteligência, sem pesquisa. Quem viver, verá. Quem apostar contra isso, terá que pagar a fatura."

Ilustração: Gossip, de Norman Rockwell.

16 de fevereiro de 2011

2.º Congresso Internacional do Livro Digital acolherá trabalhos científicos e acadêmicos

Uma sessão especial para trabalhos científicos e acadêmicos, coordenada pelo prof. Cesar Alexandre de Souza (FEA/USP) e Daniel Pinsky (Comissão do Livro Digital/CBL), será uma das novidades do 2.º Congresso Internacional do Livro Digital (26 e 27/jul.), que está sendo preparado em São Paulo pela Câmara Brasileira do Livro (CBL).

A criação dessa sessão traz como objetivo estimular a difusão de pesquisas e de trabalhos empíricos ou conceituais inéditos que abordem temas como ‘novos modelos de negócios relacionados aos livros digitais’, ‘aspectos de usabilidade de leitores digitais (e-readers)’; ‘bibliotecas digitais’; ‘aspectos educacionais dos livros digitais’; ‘direitos autorais e copyright’; ‘marketing do livro digital’; ‘redes sociais e livros digitais’ e ‘o novo papel do editor’.

Os textos selecionados serão publicados no site do evento e seus autores receberão inscrição para participar do congresso (uma inscrição por trabalho). Os dois melhores trabalhos receberão fast track para publicação na Revista de Gestão da USP (Rege). Além disso, o vencedor ganhará prêmio de mil reais e o segundo colocado, de 500 reais.

Prazo final para envio dos trabalhos: 2/maio/2011. O resultado será divulgado dia 2/jul., juntamente com a data de cada apresentação na sessão.

Remeter os trabalhos para calesou@usp.br e digital@cbl.org.br, em arquivo do MS-Word (2003 ou superior), atendendo aos seguintes requisitos de formatação:
. papel A4 com margens: superior 3 cm, inferior 2 cm, direita 2 cm, esquerda 3 cm;
. fonte: Times New Roman, tamanho 12; espaçamento simples e parágrafo justificado;
. extensão: mínimo de 8 páginas máximo de 16, incluindo a primeira (apenas título e resumo), tabelas, figuras, referências bibliográficas e notas de final de texto;
. citações e referências: normas ABNT.

11 de fevereiro de 2011

Biblioteca não só para inglês ver

Os amantes da literatura britânica e interessados em estar atualizados com notícias do Reino Unido têm na Biblioteca e Centro de Informação da Cultura Inglesa São Paulo um excelente serviço à sua sede de cultura: lá estão disponíveis 7 mil títulos consagrados de literatura contemporânea e clássica, inclusive livros inéditos no Brasil, e uma coleção com os principais periódicos britânicos. O acesso é gratuito, mas para retirar livros e revistas é preciso se associar à biblioteca (anuidade de R$ 20). Com isso, fica-se também com direto a 50% de desconto nos eventos promovidos pela Cultura Inglesa São Paulo.

Em uma parceria com o British Council, a Biblioteca do Centro Brasileiro Britânico, fundado em 2000 no bairro de Pinheiros, na capitla paulista, conta ainda com acervo complementar em artes, geografia, história, peças teatrais e biografias. Encabeçam a lista dos mais procurados High Fidelity, de Nick Hornby, Bridget Jones Diary, de Helen Fielding, Harry Potter and the Order of the Phoenix, de J. K. Rowling, e Atonement, de Ian McEwan. Obras de e sobre Shakespeare totalizam 340 livros. Destaque ainda para as coleções completas de revistas como a Granta (1979 a 2010) e a In Britain (1972 a 2010). Hoje com mais de mil associados, a biblioteca conta com uma equipe especializada e bilíngüe para orientar os usuários, indicar livros e até dar dicas sobre programas de estudos no Reino Unido.

O Centro Brasileiro Britânico reúne instituições e atividades relacionadas à cultura, educação, lazer e comércio entre Brasil e Reino Unido. Seus 13 mil m2 área total abrigam, além da biblioteca, a Sala Cultura Inglesa (Duke of York Auditorium), com 160 lugares, três galerias para exposições, um centro de informação sobre o Reino Unido, um restaurante para até 250 pessoas, salas para reuniões individuais ou em grupos. Também é sede das seguintes instituições: Consulado Geral Britânico, Câmara Britânica de Comércio, British Broadcasting Corporation (BBC), British Council, Visit Britain e Fundação Britânica de Beneficência.

Centro Brasileiro Britânico R. Ferreira de Araújo,741 - Pinheiros - S. Paulo - (11) 2126-7500; de 2.a a 6.a, das 9h às 19h; e-mail: centro.info@britishcouncil.org.br
foto: divulgação