
O ilustrador, que colaborou por quase 60 anos para a revista The New Yorker e foi a maior influência de Millôr Fernandes, tem como marca se valer muitas vezes de uma única linha, em poucos movimentos diagonais ou cruzamentos, para compor um desenho, e com ele, de modo bem humorado e ao mesmo tempo sarcástico, ser um crítico observador da vida contemporânea. É fácil observar a influência do modernismo que Steinberg absorveu em sua formação, mas, como ressalta o articulista Daniel Pisa, “não há nada obscuro ou abstrato em seus desenhos. O que eles mais fazem é dar saudades de um tempo em que os artistas sabiam que desenhar não é organizar o mundo, mas captar sua desordem”.
Como bom novaiorquino, desde o início da década de 40 radicado nos EUA, Steinberg tinha um olhar para o mundo inteiro, tendo inclusive visitado o Brasil. Assim, integram a exposição dois trabalhos com inspiração brasileira: ‘Pernambuco’, uma mistura de personagens,

Apesar da envergadura artística de Steinberg, sua obra só havia tido uma mostra desse porte no Brasil em 1952, quando o Museu de Arte de São Paulo trouxe uma exposição individual do artista. Por sinal, ela foi possível em função da amizade dele com Pietro Maria Bardi, então diretor do Masp. Ambos tinham colaborado, nos anos 1930, com a revista Il Settebello, quando moravam na Itália. Também em função da raridade de acesso aos trabalhos de Steinberg no País, essa mostra com o suporte do Instituto Moreira Salles é constitui-se imperdível.
Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pça da Luz, 2 - São Paulo/SP - (11) 3324-1000. Fotos: Jac©Edit: "Desenhar é como escrever. (...) Desenho para explicar as coisas para mim mesmo", S. Steinberg, 1954