26 de março de 2013

A secular arte do ex libris

Uma verdadeira ‘arte em miniatura’, mas que, apesar de sua beleza e longa história vinculada ao prazer dos livros, lamentavelmente tem andado um tanto esquecida. Trata-se do ex libris – estranheza, para muitos, já mesmo na própria expressão latina. Significa literalmente dos livros, a indicar ‘livros de’, ‘pertencentes a’. Esse tipo de etiqueta, gravada ou impressa e aplicada ao verso da capa de cada encadernação, confere a cada livro o título de propriedade, seja ele um indivíduo ou uma instituição, como uma biblioteca.
     Mais que isso. Pela beleza de sua decoração e requintes gráficos, para além de nomear o dono do livro, essa gravura muito mais nos diz do proprietário mesmo, do seu olhar sobre os livros e do amor à leitura proporcionada por eles. É com esse espírito que a artista plástica argentina Julieta Warman oferece mais um curso em São Paulo para gravadores e iniciantes.
     A Oficina de Iniciação à Arte do Ex Libris traz como proposta uma aproximação dessa arte secular, introduzindo-nos no universo do ex libris, desde sua história até sua confecção, através da técnica da gravura em relevo. Ao fim da programação, cada participante irá produzir uma gravura personalizada em relevo.

Oficina de Iniciação à Arte do Ex Libris
Quando: 11 e 12 de abril (duas turmas)
Duração: 4 horas (cada turma)
Onde: Studio Cultural Cristina Bottallo. Rua João de Sousa Dias, 429 – Campo Belo/São Paulo
Valor: R$ 100,00
Inscrições: (11) 5049-1322 ou cristina.bottallo@gmail.com
Materiais: papel para impressão com pelo menos 120gr, papel para esboço, lápis, borracha, ferramentas de gravura, como buril e goivas (opcional).
Execução: Julieta Warman – jvwarman@yahoo.com.ar – www.julietawarman.com.arhttp://julietawarman.blogspot.com.br/

17 de março de 2013

É mesmo o fim da picada


A desfaçatez do Congresso Nacional, em suas mais recentes eleições entre seus pares para o comando de postos internos à sua estrutura, há muito ultrapassou o limite da menor dignidade a valores de representatividade da maior parte da população. A indicação à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias de um líder religioso reacionário, racista e homofóbico, e que responde a processo por estelionato, ganhou considerável repercussão nas redes sociais. Mas está longe de ser caso isolado.
     Os votos de apoio e a omissão estratégica da base aliada ao governo já são notórios. Mais lamentável é ausência mesmo de uma única voz verdadeiramente representativa de oposição que marcasse presença, ainda que diante da derrota inevitável nas votações, em prol de uma indignação popular. Onde se mete o seu Aécio Neves, líder do PSDB no Senado, partido dividido e emudecido? Onde estão as lideranças paulistas mais preparadas, a se posicionar pelo Estado que já foi referência política no país? Onde estão discursos de políticos mais autônomos de partidos comprometidos com acordos financeiros ‘indivulgáveis’ por uma mídia nacional, não raro, tão silenciosa?
     Em meio à ausência de qualquer oposição vigorosa no Brasil e de certo marasmo do exercício mais contundente da imprensa, o jornalista Quartim de Moraes trouxe o ótimo artigo É o fim da picada neste fim de semana, em OESP (16/mar.). Merece ser lido. Um de seus aspectos interessantes é observar o quanto é sintomático o fato de o PT ter aberto mão de presidir essa Comissão de Direitos Humanos. A defesa dos direitos humanos foi uma das principais bandeiras do PT. “Mais importante agora, porém, é manter a base de sustentação no poder, mesmo que ao preço de deixar os direitos humanos aos cuidados do racismo e da homofobia”, comenta o ensaísta
     “O PT mudou muito, não depois de chegar ao poder, mas exatamente para lá chegar e se manter. No âmbito estritamente político, a maior mudança talvez tenha sido se dar conta de que, em vez de acabar com os ‘300 picaretas’ do Congresso Nacional – quem os denunciou foi o próprio Lula, no início dos anos 90 –, era muito mais esperto a eles se aliar. Nem que fosse necessário pura e simplesmente comprá-los, como foi desastradamente feito pela quadrilha de José Dirceu.
     De fato, para usar uma expressão bem ao gosto messiânico da liderança máxima petista, como nunca antes na História deste país 'a esbórnia sentou praça na política'. E tem planos expressos, pelo menos para os próximos 20 anos, de lá não sair.
imagem: a partir de foto de Augusto Areal

18 de janeiro de 2013

"Porto de Santos, cidade e gente", novo livro da Jacintha Editores

Foi-se o tempo em que a riqueza do nosso país era produzida por métodos simples e em que o carregamento nos portos, como de açúcar ou café, se dava em sacas levadas nos ombros de estivadores até os porões dos navios. A complexidade do sistema produtivo contemporâneo foi acompanhada por sofisticação e agilidade no transporte daquilo negociado em escala global. E um dos rebatimentos mais importantes desse avanço é a necessidade de qualificação da força de trabalho envolvida nos diversos níveis do serviço portuário.
     Com movimentação que representa 25% da balança comercial brasileira, o Porto de Santos, em São Paulo, tem requerido de modo crescente colaboradores capacitados segundo as exigências do atual nível das transações internacionais. Reforçando ainda mais tal demanda, agrega-se positivamente ao cenário no qual o Brasil se vê projetado o advento do pré-sal, na área oceânica adjacente ao litoral paulista. Com isso, o complexo da Baixada Santista tem se expandido em ritmo acelerado e, na mesma proporção, elevam-se as oportunidades para quantos estiverem mais bem preparados a ocupar espaço em suas vagas funcionais.
     Porto de Santos, cidade e gente – perspectivas para as novas gerações foi publicado tendo por base justamente essa percepção. Buscando orientar a geração que começa a se preocupar com o mercado de trabalho, o livro esmiúça o impacto das atividades portuárias em Santos e no seu entorno. E, para oferecer indicações claras ao preparo profissional do estudante em sua inserção nos negócios gerados pelo porto, inicialmente revisita as raízes históricas locais, ancoradas que estão na própria formação do Brasil.

Laços históricos e momento portuário – A região em que se encontra o porto destaca-se como um dos marcos do povoamento do nosso território e a trajetória de crescimento do complexo da área metropolitana santista revela as atividades ali geradas como importante propulsor do desenvolvimento econômico nacional. Desvelar o caráter histórico do Porto de Santos é ainda constatar os aspectos extremamente promissores que, no presente, recaem sobre ele.
     Para esse jovem em processo de formação, o futuro profissional pode perfeitamente se dar na Baixada Santista. Porto de Santos, cidade e gente apresenta razões de sobra para tanto, em função de tudo aquilo que a região representa e possui, em termos históricos e, mais exatamente, em suas projeções econômicas. As atividades de operação e armazenagem portuárias, de logística integrada e de comércio exterior mais que nunca devem ser propulsoras de riqueza e de progresso. Cabe estar ligado nesse indicativo.
     Este livro, gerado por iniciativa dos terminais portuários Tecondi/Termares e incentivado pelo MinC via Lei Rouanet, deseja contribuir nessa direção. Sua abordagem é conduzida pela ideia de que fortalecer os laços com o passado e compreender o momento portuário, em especial na Baixada Santista dos dias de hoje, certamente é estreitar uma identidade local que, antes de tudo, tem como resultar em autoestima e otimismo.
     Idealizado inicialmente pela empresária Agnes Barbeito, ele será distribuído gratuitamente à estrutura de ensino público da área metropolitana santista por intermédio da Secretaria de Cultura de Santos. Que Porto de Santos, cidade e gente possa, assim, ajudar a revitalizar uma nova ordem porto-cidade do futuro. Futuro esse que já se faz definitivamente presente e no qual esses jovens a quem o livro se destina certamente desejarão estar inseridos.

Porto de Santos, cidade e gente – perspectivas para as novas gerações, Heitor Amílcar; São Paulo: Jacintha, 2012; 80p.; ISBN 978-85-60677-17-7; apres.: Luis Opice; proj. gráfico: Oficina de Ideias; iniciativa: Tecondi/Termares; apoio: MinC/Lei Rouanet.

17 de dezembro de 2012

Os beija-flores de Lucília permanecem a voar

 O privilégio de ter publicado A Dança dos Beija-flores no Camarão Amarelo (2010), de Lucília Augusta Reboredo, conferiu a mim a satisfação perseguida por um editor, mas que não se vê efetivamente completada em muitos casos – alcançar consistência editorial, dada pela química entre conteúdo, oportunidade de publicação e resultado de projeto, e ainda usufruir diretamente aspectos da ordem do impacto pessoal.
A riqueza de momentos proporcionados pela convivência com Lucília, fruto da produção deste livro, pode ser vislumbrada com a leitura da própria publicação. A luz com que esta professora, que nos deixou dia 8 de dezembro, oferece os voos dos seus beija-flores aos leitores materializa-se, talvez, feito uma derradeira transmissão de conhecimento do extenso percurso universitário que ela teve, como que atenuando a enorme falta nas salas de aulas que, anos atrás, seu adoecimento impôs.
     A passagem de Lucília entre nós foi marcante e parte disso certamente está inscrito em A Dança dos Beija-flores. Nele o fio constituidor são o exemplo de vida que nos deu, a elaboração tecida sobre o processo da doença que a acometeu e o equilíbrio com que compartilha essa experiência com o coletivo – o “nós” tão tratado acadêmica e socialmente por ela.
     Em reverência à sua figura querida, reproduzimos aqui o sensível texto do psicanalista Márcio Mariguela, publicado no Jornal de Piracicaba dias atrás, e a ele acrescentamos fotos feitas na emocionante apresentação do quarteto de cordas Opus4 (set./2010), no apartamento de Lucília e Peli, que Mariguela menciona.
     Lucília é mesmo “mais uma estrela na constelação do infinito. Resta a lembrança de sua bravura”.


Réquiem para Lucília
Márcio Mariguela

Fui buscar na Lacrimosa, de Wolfgagng Amadeus Mozart, a inspiração para narrar meu réquiem em homenagem ao descanso eterno de Lucília Augusta Reboredo. A lembrança inicia sua cavalgada nas reuniões sobre inovação curricular do Curso de Psicologia, nas salas do atendimento clínico no atual Museu Marta Watts da Universidade Metodista de Piracicaba. No final da década de 1980 partilhávamos o desejo de uma formação acadêmica integrada na tríade ensino, pesquisa e extensão. Os conteúdos de ensinamento se enlaçavam na prática política e não nas demandas do mercado. Sabíamos da volatividade dessas demandas. Sonhávamos com um profissional da psicologia que pudesse assumir eticamente seu compromisso com os miseráveis abandonados em favelas e periferias da cidade.
      Ela com sua histórica formação na Pontifícia Católica de São Paulo, eu com minha formação marxista na PUC-Campinas. Ela formada num dos maiores celeiros da psicologia social. Lá em São Paulo, a PUC abrigava relevantes pesquisadores que marcaram a história da psicologia no Brasil. Lá estava Ela. Sua prática docente foi instituída naquele campus onde a pesquisa em psicologia social dava o tom para a formação dos futuros psicólogos. Lá era um verdadeiro encontro com as políticas públicas de saúde psíquica pelas práticas de subjetivação da cidadania. O encontro inventivo entre pesquisa e extensão. O saber acadêmico com o cheiro das ruas e o sabor da justiça social.
       Ela se fez no compromisso com a luta política num espaço de confronto. Naquele campus ocorreu uma das batalhas contra a ditadura militar. Muitos professores foram mortos, perseguidos, torturados. E ela se fez no combate para que a abertura política pudesse ser também uma abertura para outras possibilidades de existência. A defesa da cidadania passava pela aquisição simbólica de si na efetiva relação com os outros. De Eu e Tu a Nós. As relações sociais são formadoras do psiquismo individual. Seu trabalho virou livro (1995) e fez história na formação dos psicólogos.
       Ela veio a Piracicaba com seu engajamento certeiro: a vida psíquica é comunitária. Fomentar a vida comunitária para que nela cada um pudesse experimentar o inclusivo nós. Tratar do psiquismo é dar condições materiais e simbólicas para que os enlaçamentos criem identidades psíquicas flutuantes. Flutuantes como as mandalas que Ela criou enquanto a esclerose lateral amiotrófica (ELA) sorrateiramente solapava seus movimentos.
       Com as mandalas, Lucília narrou, esteticamente, seu cântico babilônico. A nostalgia de um tempo que se escoava com a perda progressiva dos movimentos, até lhe restar apenas o movimento ocular. Com os olhos escreveu sua trágica situação: um espírito aprisionado num corpo inerte. O livro A Dança dos Beija-flores no Camarão Amarelo (Jacintha Editores) é a expressão mais sublime da dicotomia corpo/alma instaurada por Platão. Nele, cada frase foi construída num lúcido exercício psíquico e ditada, letra a letra, pelo movimento ocular entre uma tabela alfanumérica e a pessoa que estava ao lado para grafar a sinalização dada pelo olhar. A apresentação é dilacerante: “Meu intelecto e meus afetos não reconhecem mais o corpo que antes os concretizavam na relação entre o pensar e o fazer. Filosoficamente, é como se eu estivesse vivendo a separação do espírito e da matéria. O reencontro dá-se no riso e no choro, quem sabe por meu corpo ainda ter autonomia para viabilizar tais emoções. São três anos de angústia, desespero e tristeza indescritíveis. Entretanto, sempre acreditei que o ser humano possui possibilidades de reinventar a vida em quaisquer circunstâncias. E essa crença me faz sentir que apenas ‘quebrei as asas’ e terei de aprender a alçar outros e novos vôos”.
      Assim, de forma abrupta e sublime, o leitor é convidado a percorrer o curso e percurso de seu adoecimento iniciado em 2006. Seu anjo da guarda, Mariá Aparecida Pelissari, presenteou com a seguinte introdução: “É soletrando com os olhos que Lucília constrói sentidos. Essa base para sua expressão é uma espécie de escritura de si, pois que, ao narrar seu percurso recente, Lucília se reinventa e possibilita sua nova inscrição no mundo. Assim, este livro confere o suporte ideal para ela ocupar um lugar na escrita de si, ao autorizar-se a publicar e esperar algum efeito no outro e em si própria. Por suas páginas, os olhos de Lucília falam, sorriem, ensinam abraçam”.
       Nesse percurso convivendo com ELA, Lucília foi capaz de superar a si mesma: “creio que levei minha existência inteira ultrapassando meus próprios limites. Não foi por acaso que, vindo de uma família pobre de imigrantes portugueses, nascida em uma aldeia na região de Trás-os-Montes, cheguei a me formar doutora em psicologia e ser professora universitária. E por isso, também, eu tinha tanta resistência em aceitar minhas limitações físicas”. A cada nova restrição, uma nova alternativa de expressão. Suavemente demonstrou haver vida para além d'ELA.
       Certo dia, Ela convidou-me para visitá-la. Ao contemplar seus olhos percebi de súbito a potência da alegria silenciosa. Aquele que só pode existir entre os que se amam. O silêncio pairava entre notas musicais do Quarteto de Cordas que foram lhe presentear e minhas lágrimas que jorravam sem cessar. Chorei por mim, por Ela e pela efemeridade de nossas vidas. Lacrimosamente, a vida segue embalada pelas lembranças: memória de valores coloridos com a vertigem da liberdade. Precário, provisório, perecível. Descanse em paz, minha querida. 

7 de dezembro de 2012

Música de câmara na capela do Monte Alegre

A belíssima capela do bairro Monte Alegre, em Piracicaba-SP, ornada com afrescos do célebre Alfredo Volpi, estará recebendo no próximo domingo (9/dez.), às 10h, o Quarteto de Cordas Opus4 e a soprano Raissa Amaral. Celebrando o Natal, o grupo apresentará um repertório com composições de Johann Sebastian Bach, Handel, Corelli, Mozart, Sibelius e Villa Lobos.
     Envolvendo, além de música, também artes plásticas e literatura, o evento contará ainda com a participação de Lucila Maria Calheiros Silvestre, do programa radiofônico Educativa nas Letras, que lerá aos presentes deliciosas crônicas sobre o Natal. Com entrada franca, o concerto tem o apoio da Escola de Música de Piracicaba e do bairro Monte Alegre.

    Para o músico Alexandre Bragion, violista responsável pela coordenação do Opus4, “sentir a música e o coração vibrando nas paredes da capela do Monte Alegre é uma maneira de começar a se preparar com muita harmonia para o Natal deste ano”. E completa: "O som dos instrumentos de corda e a voz límpida da soprano Raissa Amaral, ecoando pelos afrescos de Volpi, devem fazer com que os presentes comunguem da paz necessária para se viver plenamente o advento natalino”.
    Independentemente de denominações religiosas, a música – concordam os membros do Opus4 – é capaz de tocar a todas as pessoas, elevando as vibrações mentais a estágios de tocante deleite e tranquilidade que merecem ser experimentados sempre, em especial nesta época de fim de ano.
                                                                                                                                                                 Foto: divulgação.

12 de novembro de 2012

A trajetória do empresário Carlos Roberto

De origem familiar muito simples e com formação técnica em mecânica industrial, o empresário Carlos Roberto é o idealizador da CRW, empresa hoje no patamar de multinacional brasileira no segmento de transformação de termoplástico. Além das unidades em Guarulhos (SP), Joinville (SC) e Varginha (MG, foto), a CRW tem plantas em Spisska Nova Vês (Eslováquia), Charleston e Detroit (estas nos EUA). Simples assim? Certamente, não.
     Além de ter conhecido a bancarrota com o Plano Collor, esse self-made man da indústria brasileira se fez num segmento pra lá de competivo: a indústria de injeção de plásticos. Sua produção é voltada às áreas automobilística, eletroeletrônica, de refrigeração e mecânica, exigindo internacionalmente um nível técnico de ferramentaria muito elevado. A concorrência é de cachorro bem graúdo.
     Entre outros diferenciais, Carlos Roberto alia como poucos sua experiência do chão de fábrica à visão dos grandes negócios, em que, no caso da CRW, é determinante o domínio da produção de um elemento-chave sofisticado, o molde, no qual é feita a injeção do termoplástico. Trata-se do “estado da arte”, como define o empresário. Pesando até 10 toneladas e com custo individual que pode bater nos 700 mil dólares, o molde não é apenas a etapa inicial, mas aquela com maior exigência de controle tecnológico de todo o sistema.
     Paixão, Coragem e Ousadia, a mais nova publicação da Jacintha Editores, relata como Carlos Roberto alcançou tal patamar industrial em sua trajetória de operário até a participação nos negócios internacionais, a concepção genuína das plantas de suas empresas e a relação que construiu com os colaboradores da CRW. Para além disso, o livro apresenta o homem constituidor da figura do empresário, os conceitos que norteiam sua vida e que estabelecem o olhar todo particular sobre oportunidade, sorte e o emprego do simples na solução de questões complexas, inclusive na política, em que tem militado.

Comentário
“O mercado da transformação de termoplástico por injeção é altamente competitivo, particularmente na Europa e nos EUA. Carlos Roberto teve coragem de se instalar por lá, em Spisska Nova Vês, na Eslováquia, e em Detroit, cidade americana considerada o berço da indústria automobilística. As soluções exigidas nesse nível de negócio são extremamente complexas. É preciso alguém que alavanque tudo isso e que diga: ‘vai dar certo!’. Para tanto é indispensável ter um perfil de liderança todo especial. O que Carlos Roberto fez à frente da CRW é de se tirar o chapéu. Eu o definiria como um empresário nato!”
          RAINNER F. OELLERS
          Consultor industrial e diretor executivo da Dr. Schneider do Brasil

Paixão, Coragem e Ousadia na trajetória do empresário e político Carlos Roberto. 87p., 21 cm; ISBN 978-85-60677-16-0; São Paulo: Jacintha Editores, 2012; proj. e prod. gráfica: Act Design.

11 de outubro de 2012

Jean-Jacques Rousseau, 300 anos de nascimento

O Consulado Geral da Suíça em São Paulo e o Instituto de Artes da Unicamp promovem o colóquio 'Rousseau e as Artes' para comemorar os 300 anos do nascimento desse grande pensador do Iluminismo, nascido na Suíça (Genebra, 1712 - Ermenoville, França, 1789) e autor, entre outras obras-primas, de Discurso Sobre as Ciências e as Artes.

 

18 de julho de 2012

Jornalismo, política e literatura na 'piauí' de julho

A qualidade da revista piauí nada tem de novidade. Seu número 70 (jul./2012) não faz diferente. Mas nele duas matérias têm destaque garantido: ‘Escândalos da República 1.2’ (p. 26) e ‘Depois da Lavoura’ (p. 60). A primeira é assinada pelo jornalista Mario Sergio Conti, atual apresentador do 'Roda Viva', da TV Cultura, e a outra pelo editorialista da Folha de S.Paulo Rafael Cariello.
     ‘Escândalos da República 1.2’ é a versão reduzida do inédito posfácio à segunda edição de Notícias do Planalto. A imprensa e Fernando Collor (Companhia das Letras, nov./99), tido como a mais relevante publicação brasileira na área do jornalismo político. No livro, Conti entrelaça a história da derrubada do primeiro presidente democraticamente eleito após a ditadura militar com as pouco edificantes histórias de pelo menos 17 órgãos de nossa imprensa. O posfácio, que chega a público no final deste mês na nova edição, mostra onde foi parar parte dos jornalistas que cobriram o impeachment de Collor e o que aconteceu com a imprensa desde então.
     “Os jovens repórteres que expuseram o governo Fernando Collor não apuram mais notícias do Planalto. Cada qual teve razões particulares para isso”, afirma Conti na abertura do texto. “Mas o denominador comum dos que abandonaram a imprensa foi terem ido trabalhar em empresas, suas ou de outros, que se dedicam a atender políticos profissionais, homens de negócio e instituições. Agora são assessores de comunicação, relações públicas e publicitários. (...) Gerem gabinetes de crise, contratados por gente de bens denunciada nos órgãos de imprensa nos quais antes trabalhavam. Quem ontem apontava as dissonâncias entre o marketing e a realidade é hoje marqueteiro.”
     O veterano Alberto Dines, ao analisar tal posfácio em ‘Jornalismo, o estado da arte’ (Observatório da Imprensa, ed. 702), ressalta que, passados treze anos da atuação desses profissionais, muitos deles estão exercendo acriticamente o inverso do jornalismo: “o saldo é melancólico. Os mais atilados buscadores de fatos transformaram-se ao longo de pouco mais de uma década em prodigiosos produtores de factoides. Nada contra: relações públicas é uma atividade legítima, lobby também será quando regulamentado. Jornalistas românticos inspirados em Hollywood têm o direito de mudar de ramo. E de sonhos”.
     ‘Escândalos da República 1.2’ dispõe ainda ótimo material sobre o uso sistemático de marketing milionário nas campanhas eleitorais, no que Collor foi o precursor. E como essas campanhas, desde então, são estruturadas em tais artifícios, sempre se valendo de profissionais do jornalismo e da propaganda regiamente pagos. Todos – incluindo aí, antes de mais nada, os próprios políticos – convencidos de modo cabal, após a queda de Collor, da necessidade de reforçar a influência sobre aquilo que repercute na imprensa e na opinião pública.
     Mais do que o nome dado aos bois, a abrangência da análise de Conti empresta muitos elementos para se entender o perverso quadro da atual política brasileira e como inúmeros profissionais de outros segmentos são também responsáveis por isso. Trata-se, certamente, de leitura obrigatória.

Preferência pelo silêncio – O artigo ‘Depois da lavoura’, de Rafael Cariello, a pretexto de falar sobre a doação feita pelo escritor Raduan Nassar de sua fazenda Lagoa do Sino à Universidade Federal de São Carlos, se presta a dar mais cores às ‘fugas’ que compõem a trajetória desse enigmático autor paulista, trinta anos após ele deixar a literatura. Mesmo com a repercussão alcançada com Lavoura Arcaica (1975) e Um Copo de Cólera (1978), no início dos anos 80 Raduan anunciou que interrompia a carreira literária, passando a se dedicar à irrigação de arroz, engorda de reses, plantio e colheita de grãos. Foi exatamente o que ele fez, até agosto do ano passado, quando formalizou a transferência da propriedade agrícola, no município de Buri, a 250 quilômetros de São Paulo.
     Mantendo-se por décadas em silêncio quase absoluto com a imprensa, o escritor causou muito impacto com seu afastamento da literatura, em pleno ápice de sucesso. Apesar de ainda ter publicado o livro de contos Menina a Caminho (1997), a falta de maiores explicações para esse desligamento permanece com ares de mistério. No texto para a piauí, Cariello cita o ensaio da crítica Leyla Perrone-Moisés, de 1996, em que ela afirma que o ‘impaciente’ Raduan “finge não acreditar no valor da literatura apenas porque sua ação no mundo não é imediata e visível”. Para concluir: “Esperemos que, se Raduan abandonou a literatura, a literatura não o tenha abandonado, e o traga de volta a seus leitores”.
     Nos anos 80, o escritor optava por um mundo rural ainda pouco produtivo e visto como arcaico. Assim, a perplexidade então causada levou também a reações mais duras. O jornalista José Castello escreve em 1999 que “Raduan Nassar não suportou ser um grande escritor e desistiu da literatura para criar galinhas”. “Trocou a criação estética, que é complexa e desregrada, pela mecânica suave da avicultura, e parece muito satisfeito com isso, tanto que, resistindo a todos os apelos, se recusa a voltar atrás em sua decisão”.
     É consenso, contudo, que a obra de Raduan, apesar de curta, o projetou a um nível invejável na literatura brasileira da segunda metade do século XX, obtendo incontáveis traduções mundo afora e adaptações para o cinema. Por isso, se o fio condutor do texto de Rafael Cariello na piauí é o histórico de sucesso comercial obtido por Raduan em sua empreitada agrícola, ele ressalta mesmo são as condições da doação da fazenda, após quase três décadas de trabalho do escritor, entregando-a em plena produção e com alta rentabilidade. Contudo, no artigo de Cariello, essa mais nova provocação de perplexidade que Raduan possa provocar se presta a um olhar sobre os vários momentos de quebras e recomeços marcantes na trajetória da própria vida do autor de Lavoura Arcaica.
     Por sinal, este, que é o mais badalado dos seus livros, é exatamente a história de uma fuga – e de suas consequências. Em outra rara entrevista de Raduan (Veja, final dos anos 90), citada por Cariello, ele comenta esse percurso de vida incomum que o transformava em objeto de contínua curiosidade: “Abandonei o curso científico e pulei para o clássico, abandonei um curso de letras na universidade, o curso de direito no último ano, a empresa familiar assim que meu pai faleceu. Abandonei ainda uma criação de coelhos, o jornalismo e outras coisas mais. Tudo somado, só levei a pecha de inconstante. Por que só quando abandonei a literatura eu teria me transformado em personagem fascinante?”.
     O questionamento constitui expressão viva da personalidade do escritor. Ao leitor, particularmente àquele cativado por suas três obras, interessa não só a literatura, mas a vida mesma, por vezes enigmática, de Raduan Nassar. Daí, também, a relevância desse artigo de Cariello na piauí de julho.

Foto Jac©Edit : Raduan Nassar durante lançamento do livro Ilogicamente, de Newman Simões (Jacintha Editores), em maio de 2010.

5 de julho de 2012

Dicas para a segurança de crianças e adolescentes

Questões essenciais de segurança voltada a crianças e adolescentes, tanto no âmbito doméstico como nas ruas de nossas cidades, são o objeto do manual concebido pelo Cel. Ricardo Jacob e produzido pela Jacintha Editores. Em Dicas Básicas de Segurança, esse oficial da Polícia Militar de São Paulo traz orientações a pais e adultos em geral sobre temas como guarda de medicamentos, cuidados específicos em áreas da casa como cozinha, varandas e escadas, e ainda atenções especiais exigidas no trato com bebês.
     Além disso, sempre pautado por um texto claro e objetivo, todo complementado por ilustrações coloridas, a publicação é voltada, em sua segunda parte, diretamente a adolescentes. Nela, Cel. Ricardo compartilha seu profundo conhecimento, como especialista em legislação e logística de segurança, em aspectos como atenções fundamentais na proteção da residência, em contatos telefônicos e na convivência nas ruas. São abordados também assuntos ainda mais corriqueiros no dia a dia da atual juventude: os riscos muitas vezes presentes no emprego da tecnologia, por exemplo, de internet e celulares.
     Com projeto gráfico da Act Design e ilustrações assinadas por Freire, Dicas Básicas de Segurança teve distribuição gratuita: http://ricardojacob.org/ ou coronel@ricardojacob.org.
Dicas Básicas de Segurança para crianças e adolescentes, Coronel Ricardo. São Paulo: Jacintha Editores, 2012; 48p.; 18 cm; proj. gráf.: Act Design; ilustr.: Freire.

4 de julho de 2012

São Bento do Sapucaí, referência artística

A simpática São Bento do Sapucaí, a 185 km da capital paulista e a leste do estado de São Paulo, nos contrafortes da Mantiqueira, é atração turística tanto como estância climática quanto por se constituir em polo cultural da região. Possivelmente atraídos pela natureza exuberante do lugar, chama a atenção o número de artistas, escritores e poetas estabelecidos na cidade e as atividades por eles produzidas.
     É assim que, no próximo sábado (7/jul.), será inaugurada a I Exposição de Arte São Bento do Sapucaí, na Casa da Cultura Miguel Reale. O evento coletivo contará com trabalhos dos artistas plásticos Adriana A.R. Santos, Billy Gibbons, Célia Santos, Ditinho Joana, Feh Prado, Felipe Cação, Juliana Chagas, John Chien, Luis Rosa, Lanuel Cação, Marcos Guedes, Mariana Abdala, Nelson Screnci, Roberto Rocha Pombo e Theodoro.
     No material promocional da exposição aqui reproduzido, eles estão diante da Capelinha de Mosaicos, uma das mais belas atrações de São Bento. Restaurada pelos artistas plásticos Angelo Milani e Cláudia Villar, essa imperdível capela já também objeto de outra matéria neste blog: ‘São Bento do Sapucaí, trilhas e montanhismo nesse inverno’.

Exposição de Arte São Bento do Sapucaí – Casa da Cultura Miguel Reale: Rua Sargento José Lourenço, 105; São Bento do Sapucaí/SP; (12) 3971-1665; inauguração: sáb. (7/jul.), às 19h; de 8/jul. a 8/out./2011, das 9h às 18h.

1 de abril de 2012

O Grande Espírito da Intimidade

Os ingredientes deste manifesto antropológico foram extraídos de raízes emaranhadas numa trilha de lembranças. Foi indo atrás da nossa própria natureza que cada qual trouxe um balaio cheio de diálogos recheados de memórias temperadas com sementes batidas no coco. Eu vim carregando conversa comprida, entre outras tantas, com Tupã Ivandro, índio guarani. O sol pela fresta do telhado daquela igreja oca formava tela com a fumaça do fogo que se acendia. Fogueira de entulhos da cidade envolvente. Lá dentro escutava o eco de um segredo: é do silêncio que surge...
     Talvez estivesse dormindo quando, olhando de novo para o que parecia ser uma favela, reconheci através dela a aldeia dos nossos sonhos. No outro lado da estrada, Clóvys, Leo e Ubimara conversavam com os guaranis sobre como reconstruir a Opy dessa mesma aldeia em que eu estava. A trama urdida de nós nos enredava. Dessa via Leo enchia seu balaio do que relia da alma indígena embaraçada com a sua. Clóvys sonhava com sua avó yanomami, lembrava de aboios. Noutro rastro, refazia o grito do menino xavante. Das andanças com paixão, Adriana trouxe seiva agridoce, veio com choro de moema; e a Fernanda chegou com o pulso ritmado pelos pés descalços, o tambor com a voz de trovão entoando hinos quase esquecidos.
     Nos ligamos. Depoimentos transformados pela escuta sorvendo esse cheiro suavemente audível. Caldo com sabores de infância que percutiu no corpo em repouso hibernado há anos. Restou fazer palpável o indizível. Concentro: cem voltas delimitando a borda desse prato transbordante onde colocamos, com passos na roda, nossos desejos dissolvidos, mexendo sempre em círculos até levantar fervura.
    Tomara dê para alimentar o Grande Espírito.
                                                                                                                                               ANDREAH DORIM
                                                                                                          Diretora

O Grande Espírito da Intimidade, com Adriana Lodoño, Clóvys Torres e Fernanda de Paula; direção Andreah Dorim. Studio SP – Rua Inácio Pereira da Rocha, 170, Vila Madalena/São Paulo, (11) 3032-4379; estreia: 6/abr.; 6.as e sábados, às 22h.

13 de dezembro de 2011

'Que os sonhos se realizem em 2012', Lucília

Compartilhamos com os leitores deste blog e os amigos da JacEdit os votos expressos nesta bela mandala de Lucília Augusta Reboredo, autora do comovente A Dança dos Beija-Flores no Camarão Amarelo, livro ao qual temos a honra de ter vinculado nossa chancela editorial.
     Sim, Lu, que 2012 proporcione a todos nós a realização de nossos sonhos!
     Para conhecer melhor essa doutora em psicologia social e sua impressionante trajetória de vida, visite, entre outras postagens no blog de nossa casa editorial, ‘Matéria televisiva sobre Lucília Reboredo e seu livro’.


A Dança dos Beija-Flores no Camarão Amarelo. Curso e percurso do adoecimento, Lucília Augusta Reboredo. Apres.: Ely Eser Barreto César; 192p.; 25 cm; R$ 40,00; ISBN 978-85-60677-10-8; proj. gráf. e capa: Juliana Mesquita. Jacintha Editores, 2010.

6 de dezembro de 2011

13.ª Festa do Livro da USP – 2011 será na Poli

Neste ano de 2011, a Festa do Livro da USP será realizada em dezembro, nos dias 14, 15 e 16, na Escola Politécnica, na Cidade Universitária, em São Paulo, das 9h às 21h.

     Serão 126 editoras pondo seus títulos à venda com pelo menos 50% de desconto.

     Localização: Escola Politécnica USP - Prédio da Mecânica e da Civil

     Acessos: bolsão da Poli (Av. Prof. Luciano Gualberto, travessa 3, ou Av. Prof. Mello Morais, próximo à Mecânica).

    Mais informações: (11) 3091-1617.

5 de dezembro de 2011

Palavras como imagens

Um vídeo simpático, no qual palavras ganham animação e, com criativo complemento sonoro, dizem ainda melhor dos seus significados.

Enviado por Eduardo Silveira

3 de dezembro de 2011

A obra de uma jovem escritora ganha a devida dimensão

A obra inaugural da jovem escritora Isadora César Pacello está com lançamento marcado. A Dimensão, a descoberta do universo gêmeo, a mais nova produção da Jacintha, será apresentada a seus leitores no próximo dia 9 de dezembro, às 19h30, na livraria Nobel do Shopping Piracicaba/SP. Aos 13 anos de idade, Isadora, paulista de Campinas (1997), acaba de concluir o 9.º ano do Ensino Fundamental em Piracicaba, cidade onde sempre viveu.
      O gosto de Isadora pela leitura e pela escrita começou bem cedo. Com 6 anos iniciou sua produção de histórias infantis: escrevia, ilustrava e criava a capa de suas ‘obras’. Em 2009, produz seu primeiro romance, que não chegou a publicar. No final daquele ano, inicia uma obra de ficção planejada para cinco volumes, sendo A Dimensão o primeiro da série. A publicação traz sua precocidade literária, compartilhando com os leitores um universo mágico repleto de aventuras surpreendentes. Neste livro, ela não abre mão da fantasia nem de sonhos. E, ao lado deles, escreve sobre valores fundamentais como amizade, lealdade e espírito de equipe.
      A turma de O Diário do Engenho postou detalhada entrevista com Isadora, que merece mesmo ser lida. Confiram nas páginas eletrônicas do DE. Além disso, o programa radiofônico Educativa nas Letras (Rádio Educativa FM 105,9 Mhz de Piracicaba), comandado por Alexandre Bragion, gravou uma edição com a jovem escritora da Jacintha. O programa vai ao ar no fim de semana de 17 (sáb., às 10h30) e 18 (dom., às 21h) de dezembro, podendo ser acompanhado também pela web.

A Dimensão. A descoberta do universo gêmeo, de Isadora César Pacello. 256p.; 21 cm; ISBN 978-85-60677-15-3; São Paulo: Jacintha Editores, 2011; proj. gráf. e capa: Sérgio Sdrous.

18 de novembro de 2011

Solar da Marquesa de Santos, no coração antigo de São Paulo, é reinaugurado

O Solar da Marquesa de Santos, no Pátio do Colégio, em pleno coração da cidade de São Paulo, será reinaugurado neste sábado (19/nov.). Após três anos de obras promovidas pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), esse raro exemplar de residência urbana do século XVIII voltará a receber visitação pública. A reabertura contará com uma mostra sobre a própria marquesa Domitila de Castro Canto e Melo, célebre amante de D. Pedro I, com exposição de seus objetos pessoais.
     Foi justamente desde o largo conhecido hoje como Pátio do Colégio que os primeiros povoadores começaram a ocupar com moradias as áreas vizinhas, constituindo as ruas que dariam origem àquela que viria a se tornar a maior metrópole brasileira. É na Rua do Carmo, atual Roberto Simonsen, 136-A (antigo n.º 3), que está localizado o Solar da Marquesa de Santos.
     Não há dados precisos sobre quando foi construído. Sabe-se que seu primeiro proprietário comprovado foi o brigadeiro José Joaquim Pinto de Morais Leme, que, em 1802, o recebeu como pagamento de dívidas. O imóvel pertenceu a Domitila de 1834 a 1867, quando ele faleceu, e ficou conhecido na época como Palacete do Carmo. As festas que ela ali promovia eram famosas entre a aristocracia paulistana.
Marquesa de Santos ..Nascida em 1797 em São Paulo, Domitila casa-se aos 16 anos com o alferes mineiro Felício Pinto Coelho de Mendonça, oficial do Corpo dos Dragões de Vila Rica, Minas Gerais, para onde se mudam. Com dois filhos desse casamento, e grávida do terceiro, em 1819, volta para a casa dos pais em São Paulo, após ser agredida pelo marido. Perde o bebê pouco tempo depois.
     Sua fama surge a partir de agosto de 1822, quando conhece D. Pedro I (1798-1834), indo em seguida viver na Corte. Fruto do romance com o imperador, além de cinco filhos, Domitila foi agraciada com títulos de nobreza: baronesa, viscondessa e, em 1826, marquesa de Santos.
     Depois de sua morte, em 1867, o solar sofreu reformas que mudaram a estrutura original. Como não foi possível um restauro com as características originais de nenhuma das épocas de ocupação do solar, optou-se por preservar elementos importantes de cada uma das modificações mais antigas. O restauro do casarão custou R$ 2,7 milhões.
     Ao lado dele, a Casa Número 1 também será reaberta, após restauração ao custo de R$ 4 milhões, com exposição de Guilherme Gaensly, fotógrafo da Cia. City, mais conhecido pelas fotos de postais paulistanos do início do século XX. O imóvel passará a ser sede da Casa da Imagem, que cuidará do acervo iconográfico paulistano, com cerca de 600 mil fotografias. Essas imagens, digitalizadas, ficarão acessíveis para consulta.

Solar da Marquesa e Casa da Imagem. Rua Roberto Simonsen, 136, Centro/São Paulo. Funcionamento: de 3. a 6. (horário ainda não definido). Entrada livre. Fotos: divulgação. Indicação: Sandra Moret

10 de novembro de 2011

Luz sobre as cores

A partir da necessidade identificada no trato diário com seus clientes quanto ao uso de cores na impressão gráfica, o time da Elmefaria Comunicação e Desing desenvolveu o guia prático de quadricromia Uma Luz sobre as Cores. Não bastasse o fato de não se ter circulando no mercado brasileiro material desse tipo, esse projeto prima ainda pelo arrojo visual e objetividade dos recursos que emprega. De quebra ele está disponível gratuitamente no formato PDF no site da Elmefaria, mediante simples cadastramento do interessado.
     O guia é uma escala CMYK completa, concebido para orientar designers, profissionais de marketing e editores, dentre outros segmentos envolvidos em produção gráfica. Isso envolve aspectos como escolha de combinações e tonalidades; uso de cores especiais não contempladas pela quadricromia; comparação com escalas Pantone e de tintas; e mesmo impacto no preço final da impressão. Cada escala de cores, entendida como ferramenta para entender como as cores são compostas nos trabalhos impressos em offset, é trazida tanto em fundo branco como em preto, o que diferencia seu realce e resultado ao percebido pelo olhar humano.
     As escalas são precedidas por um breve texto que, direto e claro, expõe a teoria sobre as cores. Particularmente, foca a diferenciação daquilo visto pelo nosso olhar e aquilo que determina as cores na impressão em papel, trazendo, para tanto, os conceitos de ‘síntese aditiva’ e ‘síntese subtrativa’. São abordados também o gerenciamento das cores no cotejo entre provas e impressões, o uso de cores especiais e a relação delas com o emprego de tipos de papel. O projeto, visualmente arrojado e cuidadoso, é composto ainda pela orientação detalhada para o próprio uso das tabelas de cores.
     A qualidade de Uma Luz sobre as Cores, quando não há à disposição dos profissionais dessa área material equivalente, mais do que pede uma versão dele no suporte impresso. Desde já a Jacintha Editores se envolve nos esforços de busca de recursos que viabilizem tal produção gráfica em apoio à criativa equipe da Elmefaria.

5 de novembro de 2011

Susan Sontag: sobre fotografia

Sobre Fotografia, livro da ensaísta e romancista americana Susan Sontag (1933-2004), traz seis ensaios incontornáveis a respeito do significado e da evolução da fotografia, abordando problemas, estéticos e morais, a partir da onipresença das imagens fotográficas em nosso tempo. Ganhadora do National Book Critics Circle Award de 1977 com este trabalho, Sontag dialoga nele com a filosofia e a sociologia, com a estética e a história da arte, em estilo simples e direto em que sua brilhante erudição escorre a bom deleitar o leitor.
     A seguir, alguns recortes do ensaio ‘Na caverna de Platão’ de Sobre Fotografia (Cia. das Letras, 2008, 224p.):
     “Fotografar é apropriar-se da coisa fotografada. Significa pôr a si mesmo em determinada relação com o mundo, semelhante ao conhecimento – e, portanto, ao poder. (...) Imagens fotografadas não parecem manifestações a respeito do mundo, mas sim pedaços dele, miniaturas da realidade que qualquer um pode fazer ou adquirir.
     A fotografia tornou-se um dos principais expedientes para experimentar alguma coisa, para dar uma aparência de participação. (...) ter uma câmera transformou uma pessoa em algo ativo, um voyeur: só ele dominou a situação. (...) Tirar fotos estabeleceu uma relação voyeurística crônica com o mundo, que nivela o significado de todos os acontecimentos.
     Uma foto não é apenas o resultado de um encontro entre um evento e um fotógrafo; tirar fotos é um evento em si mesmo, e dotado dos direitos mais categóricos – interferir, invadir ou ignorar, não importa o que estiver acontecendo. (...) Após o fim do evento, a foto ainda existirá, conferindo ao evento uma espécie de imortalidade (e de importância) que de outro modo ele jamais desfrutaria.
     Embora a câmera seja um posto de observação, o ato de fotografar é mais do que uma observação passiva. (...) é estar em cumplicidade com o que quer que torne um tema interessante e digno de se fotografar – até mesmo, quando for esse foco de interesse, com a dor e a desgraça de outra pessoa.
     Tirar uma foto é participar da mortalidade, da vulnerabilidade e da mutabilidade de outra pessoa (ou coisa). Justamente por cortar uma fatia desse momento e congelá-la, toda foto testemunha a dissolução implacável do tempo.
     Fotos podem ser mais memoráveis do que imagens em movimento porque são uma nítida fatia do tempo, e não um fluxo. (...) Cada foto é um momento privilegiado, convertido em um objeto diminuto que as pessoas podem guardar e olhar outras vezes.
     A fotografia dá a entender que conhecemos o mundo se o aceitamos tal como a câmera o registra. Mas isso é o contrário de compreender, que parte de não aceitar o mundo tal como ele aparenta ser. Toda possibilidade de compreensão está enraizada na capacidade de dizer não. Estritamente falando, nunca se compreende nada a partir de uma foto.
     Não seria errado falar de pessoas que têm uma compulsão de fotografar: transformar a experiência em si num modo de ver. Por fim, ter uma experiência se torna idêntico a tirar dela uma foto, e participar de um evento público tende, cada vez mais, a equivaler a olhar para ele, em forma fotografada. Mallarmé, o mais lógico dos estetas do século XIX, disse que tudo no mundo existe para terminar num livro. Hoje, tudo existe para terminar numa foto.”
“Noiva janela” (Veneza, 2011), de Oli de Castro; “Monsieur Rouge” (Versailles, 2011), de Eduardo Silveira